Preço dos ovos sobe nos EUA em meio a esforços para conter gripe aviária

O preço dos ovos voltou a subir nos Estados Unidos, reflexo da persistente crise da gripe aviária, combinada com a alta demanda típica da temporada de festas de fim de ano. Apesar do aumento, os valores ainda estão distantes do pico histórico registrado há cerca de dois anos, segundo o American Egg Board, uma associação comercial do setor.

De acordo com a presidente da entidade, Emily Metz, as faltas de ovos nos supermercados têm sido pontuais e resolvidas rapidamente, muitas vezes em menos de um dia. "Não há um desabastecimento generalizado. Os ajustes estão ocorrendo de forma ágil", afirmou.

Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço médio de uma dúzia de ovos em outubro foi de US$ 3,37 (cerca de R$ 17,00), uma redução significativa em comparação aos US$ 4,82 (R$ 24,30) registrados em janeiro de 2023. Ainda assim, o valor representa um aumento de 63% em relação a outubro de 2022, quando a dúzia custava em média US$ 2,07 (R$ 10,50).

Entre os fatores que influenciam os preços, além da inflação, está a alta procura por ovos nos meses de novembro e dezembro, essenciais para receitas de tortas, bolos e outros pratos tradicionais do período. "Você não pode fazer sua torta de abóbora ou seu recheio de peru sem ovos", disse Metz.

Outro fator relevante é o surto de gripe aviária que, desde fevereiro de 2022, levou ao abate de mais de 111 milhões de aves, a maioria galinhas poedeiras. Sempre que o vírus é detectado, toda a população de aves de uma fazenda é sacrificada para conter a propagação. Somente neste mês, mais de 6 milhões de aves foram abatidas, uma fração pequena do rebanho total de 377 milhões de galinhas nos Estados Unidos. Mesmo assim, a redução de 3% no rebanho contribuiu para uma queda de 4% na produção de ovos, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

As maiores dificuldades têm sido observadas no fornecimento de ovos livres de gaiolas, especialmente em estados como Califórnia, Nevada, Washington e Oregon, que exigem que todos os ovos vendidos sejam provenientes desse tipo de produção. "Estamos redistribuindo ovos de outras regiões do país para atender à demanda nesses estados", explicou Metz.

Essa exigência deve ser ampliada para estados como Arizona, Colorado e Michigan no próximo ano e para Rhode Island e Utah em 2030. Especialistas apontam que a transição para ovos livres de gaiolas pode aumentar a exposição das galinhas ao vírus, já que essas aves ficam mais suscetíveis ao contato com pássaros selvagens. "Controlar essa interação é um grande desafio, especialmente quando pedimos que a indústria adote novos modelos de produção", disse Chad Hart, professor de economia agrícola da Universidade Estadual de Iowa.

Hart também destacou que os criadores têm enfrentado novos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Tempestades, furacões e incêndios florestais têm alterado as rotas migratórias das aves selvagens, aumentando o risco de contato com granjas. "Nossos agricultores estão lidando com variáveis imprevisíveis, tanto climáticas quanto de saúde animal", reforçou Metz.

Há também um lado positivo: os custos com ração, que representam cerca de 70% das despesas dos produtores, caíram significativamente após terem dobrado entre 2020 e 2022. Essa redução pode aliviar parte da pressão nos custos gerais de produção, embora a reconstrução dos rebanhos ainda demande tempo e recursos.

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