Scholz defende integração acelerada de refugiados ucranianos ao mercado de trabalho na Alemanha

O chanceler alemão, Olaf Scholz, destacou a necessidade de integrar o maior número possível de refugiados ucranianos ao mercado de trabalho. Apesar de reconhecer avanços no programa de emprego implementado pelo governo, Scholz admitiu que os resultados ainda estão aquém do esperado.

Desde o agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia em fevereiro de 2022, a Alemanha tornou-se o principal destino de refugiados ucranianos na União Europeia. Estimativas indicam que mais de um milhão de ucranianos residem atualmente no país.

Dados divulgados pela revista Stern em outubro apontam que cerca de 720 mil refugiados ucranianos recebem o Bürgergeld – benefício de cidadania alemão –, o que representa um custo mensal de €539 milhões (aproximadamente R$2,8 bilhões) aos cofres públicos.

Durante uma sessão de perguntas no parlamento alemão, Scholz rebateu críticas da oposição sobre a eficácia do programa “Job Turbo”, que visa a inserção de refugiados no mercado de trabalho. Um parlamentar do partido União Democrata-Cristã (CDU) questionou a baixa taxa de sucesso do programa. Scholz defendeu que a iniciativa já ampliou o número de refugiados empregados, mas enfatizou que “isso ainda não é suficiente”.

O chanceler afirmou que muitos refugiados permanecem na Alemanha há tempo suficiente para iniciarem sua integração ao mercado de trabalho. Scholz revelou ter discutido a questão com o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, que planeja criar uma agência ucraniana na Alemanha e na Polônia. O objetivo seria apoiar o retorno dos refugiados ao seu país ou sua inserção no mercado de trabalho alemão.

“Precisamos garantir que, após concluírem as medidas de aprendizado de idioma e outras qualificações, o maior número possível de refugiados procure emprego”, declarou Scholz.

No entanto, relatórios indicam dificuldades. Segundo a Stern, uma análise do Tribunal Federal de Contas concluiu que o programa “Job Turbo” apresentou falhas significativas, com menos de 1% das contratações esperadas entre refugiados registradas até 2024. Apenas um terço dos refugiados recebeu orientação em centros de emprego, o que levou muitos a abandonarem os cursos de integração.

Desde seu lançamento em outubro de 2023, o “Job Turbo” tinha como meta reintegrar até 400 mil refugiados ao mercado de trabalho, incluindo outros grupos além dos ucranianos. Porém, até junho de 2024, apenas 30% dos ucranianos empregados na Alemanha estavam trabalhando, índice inferior ao registrado em países vizinhos.

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