Na última terça-feira, o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, decretou lei marcial sob a justificativa de proteger o país contra "forças comunistas norte-coreanas e antiestatais" que, segundo ele, ameaçavam seu governo. A medida, amplamente criticada, enfrentou resistência imediata no parlamento, que a declarou ilegal. Na manhã de quarta-feira, todos os 190 parlamentares presentes, incluindo membros do partido governista, votaram pela revogação do decreto.
Com a decisão nas mãos de Yoon e das Forças Armadas, o futuro do presidente se torna incerto. Caso ele opte por ignorar o parlamento, o cenário poderá se agravar rapidamente, dada a tradição política sul-coreana de tratar seus líderes com pouca indulgência.
Precedentes sombrios
A trajetória política da Coreia do Sul está marcada por histórias de golpes, assassinatos, suicídios e prisões envolvendo seus ex-presidentes.
- Syngman Rhee: Primeiro líder da República da Coreia em 1948, foi deposto após grandes protestos populares em 1960.
- Yun Po-sun: Governou brevemente antes de ser derrubado por um golpe militar em 1962.
- Park Chung Hee: No poder por 17 anos após liderar um golpe militar, foi assassinado em 1979 por Kim Jae-gyu, chefe da agência de inteligência sul-coreana.
- Choi Kyu-hah: Assumiu após Park, mas permaneceu na presidência por menos de um ano, também vítima de um golpe militar em 1980.
- Chun Doo-hwan: Governou com mão de ferro, sendo condenado à morte em 1996 pelo massacre de Gwangju. A pena foi comutada, e ele morreu em casa em 2021.
- Roh Tae-woo: Primeiro presidente na transição democrática do país, foi condenado por crimes relacionados ao golpe de 1980, mas recebeu perdão.
- Kim Young-sam: Líder entre 1993 e 1998, garantiu a condenação de seus antecessores Chun e Roh.
- Kim Dae-jung: Governou de 1998 a 2003; sobreviveu a uma sentença de morte nos anos 1980 e aconselhou o perdão aos ex-presidentes Chun e Roh.
- Roh Moo-hyun: Após seu mandato (2003-2008), cometeu suicídio durante uma investigação de corrupção.
- Lee Myung-bak: Detido em 2018 por corrupção, foi posteriormente perdoado.
- Park Geun-hye: Primeira mulher presidente do país, foi destituída em 2017 e condenada por abuso de poder. Recebeu indulto em 2021.
- Moon Jae-in: Único líder recente sem envolvimento em escândalos ou perseguições, facilitou relações históricas com a Coreia do Norte.
Enquanto Yoon encara críticas internas e internacionais, a história não está a seu favor. Se não recuar, poderá enfrentar consequências políticas e legais severas, como seus antecessores.
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