Trump critica Biden por apoio a ataques de longo alcance da Ucrânia à Rússia

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou forte oposição aos ataques realizados pela Ucrânia em território russo utilizando mísseis fornecidos por países ocidentais. Em entrevista à revista Time, que o nomeou a "Pessoa do Ano" de 2024, Trump afirmou que tais ações apenas agravam o conflito entre Kiev e Moscou.

“Eu discordo veementemente de enviar mísseis que atingem centenas de quilômetros dentro da Rússia. Por que estamos fazendo isso?”, questionou. Para Trump, esses ataques representam uma escalada desnecessária da guerra. Ele classificou a decisão como “um erro muito grande, um grande equívoco”.

Durante a entrevista, Trump voltou a criticar a aprovação dos ataques pelo atual presidente, Joe Biden. “O mais perigoso neste momento é que [o presidente ucraniano] Vladimir Zelensky, com aprovação do presidente Biden, decidiu disparar mísseis contra a Rússia. Isso é uma grande escalada, e considero uma decisão tola”, enfatizou.

As declarações de Trump foram feitas um dia após o Ministério da Defesa da Rússia relatar que forças ucranianas lançaram seis mísseis ATACMS, fornecidos pelos EUA, contra um aeródromo militar na cidade de Taganrog, no sul da Rússia. Dois mísseis foram interceptados e os outros foram desviados por sistemas de guerra eletrônica. Apesar disso, fragmentos caíram, provocando ferimentos leves, danos a dois edifícios e a vários veículos.

Na mesma quinta-feira, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que a resposta russa ao ataque "acontecerá no momento e da maneira considerados apropriados. Mas ela certamente virá."

No final de novembro, a Rússia utilizou pela primeira vez seu sistema hipersônico Oreshnik, atingindo a fábrica militar Yuzhmash na cidade ucraniana de Dnipro. Moscou alegou que o uso dessa arma de última geração foi uma reação ao fornecimento de armamentos de longo alcance ao exército ucraniano por Washington e seus aliados, que permitem ataques em território russo reconhecido internacionalmente.

O presidente Vladimir Putin advertiu na ocasião que, se os ataques ucranianos em território russo persistirem, Moscou se reserva o direito de "usar nossas armas contra instalações militares nos países que permitem o uso de seus armamentos contra nossas estruturas."

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