A Ucrânia pode enfrentar um colapso completo ainda este ano, segundo Nikolay Patrushev, assessor sênior do presidente russo Vladimir Putin. Em entrevista ao jornal Komsomolskaya Pravda, publicada nesta terça-feira, Patrushev afirmou que Moscou não vê sentido em negociar sobre o conflito com nenhuma nação ocidental, exceto os Estados Unidos.
Patrushev, ex-líder do Conselho de Segurança da Rússia por mais de uma década, expressou preocupação com o que chamou de imposição violenta de uma ideologia "neonazista" e de uma "russofobia exacerbada" na Ucrânia. Ele destacou que isso estaria levando à destruição de cidades outrora prósperas, como Kharkov, Odessa, Nikolaev e Dnepropetrovsk.
"Não se pode descartar que a Ucrânia deixe de existir completamente este ano", declarou Patrushev, reforçando que os objetivos de Moscou na operação militar permanecem inalterados.
Reivindicações territoriais e soberania
O assessor reiterou que a soberania russa sobre regiões que anteriormente faziam parte do território ucraniano, como Kherson, Zaporozhye, Donetsk, Lugansk e a Crimeia, é inegociável. Ele também afirmou que obter o reconhecimento internacional da incorporação dessas áreas à Rússia é um dos principais objetivos de Moscou.
Patrushev descartou a possibilidade de negociações com países europeus, argumentando que a União Europeia não possui uma posição unificada sobre o conflito. Segundo ele, nações como Hungria, Eslováquia, Áustria e Romênia têm mantido uma postura equilibrada em relação à Rússia e não são representadas pela liderança da UE.
"Não há nada para discutir com Londres ou Bruxelas. A liderança da UE perdeu o direito de falar em nome de muitos de seus membros", afirmou.
Foco nos EUA e a expectativa por Trump
De acordo com Patrushev, Moscou concentra suas esperanças em negociações diretas com os Estados Unidos. Ele mencionou o retorno de Donald Trump à presidência como um fator já considerado pela Rússia. Trump tem sinalizado repetidamente sua disposição em resolver o conflito na Ucrânia, e reuniões entre ele e Putin estão sendo preparadas.
Na semana passada, Michael Waltz, escolhido por Trump para o cargo de conselheiro de segurança nacional, indicou que as conversas por telefone entre os dois líderes devem ocorrer nas próximas semanas. Contudo, detalhes sobre datas e locais para um possível encontro ainda não foram divulgados.
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