Biden destaca avanços e desafios em discurso final sobre política externa

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um discurso enfático na segunda-feira, defendendo o legado de sua administração na política externa. Proferido no Departamento de Estado, o pronunciamento marcou os últimos dias de Biden na Casa Branca antes de ceder lugar a Donald Trump, que assumirá a presidência em 20 de janeiro.

"Estamos em um ponto de inflexão. A era pós-Guerra Fria acabou. Uma nova era começou," afirmou Biden, destacando os esforços de sua gestão para fortalecer alianças globais e centralizar os direitos humanos na política externa dos EUA.

Durante seus quatro anos no poder, Biden enfrentou crises globais que testaram sua liderança. Apesar das críticas em áreas como o apoio dos EUA à guerra de Israel em Gaza, ele enfatizou que sua administração está deixando um país "mais forte, com mais aliados e adversários sob pressão."

Biden também defendeu sua controversa retirada do Afeganistão em 2021, classificando-a como uma decisão necessária para focar em desafios mais urgentes. "Sou o primeiro presidente em décadas a não deixar uma guerra no Afeganistão para meu sucessor," declarou.

O conflito em Gaza, no entanto, foi um tema central no discurso, ofuscando as conquistas da gestão. Desde outubro de 2023, estima-se que 46.584 palestinos tenham morrido devido à ofensiva israelense, descrita pela ONU como possivelmente consistente com genocídio. Biden, mesmo diante de protestos e críticas, afirmou estar empenhado em alcançar um cessar-fogo duradouro, destacando negociações com líderes internacionais como o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani.

O presidente também utilizou o momento para reforçar a importância das alianças formadas com a OTAN e parceiros na região do Indo-Pacífico, além de criticar a postura de Trump em relação à mudança climática e desregulação do setor energético. "A maior ameaça existencial à humanidade é a mudança climática, e ignorá-la é um erro grave," afirmou.

Com uma mensagem de continuidade, Biden pediu à próxima administração que aproveite as oportunidades diplomáticas e geopolíticas criadas nos últimos quatro anos, alertando contra o isolamento e divisões globais.

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