França sinaliza possibilidade de enviar tropas à Groenlândia em meio a tensão entre Dinamarca e EUA

O ministro das Relaçes Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, afirmou que seu país está disposto a enviar tropas para a Groenlândia caso seja solicitado pela Dinamarca, que atualmente administra o território autônomo. A declaração ocorre em meio a um impasse crescente entre Copenhague e Washington, impulsionado pelo interesse do presidente Donald Trump na ilha.

Trump reacendeu a ideia de comprar a Groenlândia ao retornar à Casa Branca neste ano, alegando a importância estratégica da região para a segurança nacional dos EUA. O mandatário se recusou a descartar o uso de força para obter o território, que é o maior do mundo, mas a Dinamarca tem reiterado que a ilha não está à venda.

Em entrevista à Sud Radio nesta terça-feira, Barrot revelou que já iniciou conversas com as autoridades dinamarquesas sobre a possibilidade de um destacamento militar francês. No entanto, ressaltou que, no momento, Copenhague não manifestou interesse por essa alternativa. “Se a Dinamarca pedir ajuda, a França estará lá”, assegurou o chanceler, enfatizando que “as fronteiras europeias são soberanas, sejam no norte, sul, leste ou oeste, e ninguém pode brincar com isso”.

Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia, realizada na segunda-feira, representantes de outros Estados-membros também demonstraram apoio à Dinamarca, sugerindo abertura para futuras missões militares.

Barrot expressou confiança de que uma tentativa forçada de tomada da ilha pelos EUA não ocorrerá. "As pessoas não invadem territórios da União Europeia", afirmou.

Nos últimos dias, o general Robert Brieger, presidente do Comitê Militar da UE (EUMC), defendeu a ideia de não apenas manter tropas norte-americanas na Groenlândia, como ocorre desde os anos 1940, mas também considerar a presença de soldados europeus. Em entrevista ao jornal Die Welt, o ex-chefe do Estado-Maior austríaco argumentou que tal medida enviaria um "sinal forte" e contribuiria para a estabilidade regional.

Brieger citou tensões geopolíticas envolvendo Rússia e possivelmente China, exacerbadas pelo derretimento das calotas polares e pelo aumento do interesse global na região. Destacou ainda a relevância da Groenlândia para o bloco europeu, tanto por seus vastos recursos naturais quanto por sua localização estratégica nas rotas comerciais internacionais.

Ao comentar as pretensões norte-americanas sobre a ilha, Brieger afirmou que espera que Washington respeite a integridade territorial dos demais países e o Carta das Nações Unidas.

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