A Polônia registrou, em 2024, um recorde histórico de importação de fertilizantes provenientes da Rússia, movimentando 318 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,69 bilhão) até setembro. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, as importações cresceram 140%, alcançando 952 mil toneladas, enquanto o valor total aumentou 123%.
Em contraste, a Polônia adquiriu fertilizantes alemães no valor de pouco mais de 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,06 bilhão) no mesmo intervalo. O volume total de fertilizantes importados pelo país ultrapassou 1,1 bilhão de euros, consolidando a Rússia como a principal fornecedora.
Segundo Arkadiusz Zalewski, especialista em mercados agrícolas do Instituto de Economia Agrícola e Alimentar, essa alta nas importações russas é a maior desde 2017. Ele explica que o aumento reflete a competitividade de produtores com acesso a gás natural barato e menores custos de produção. “Por um lado, isso reduz os preços no mercado interno. Porém, a longo prazo, eleva a dependência da agricultura polonesa em relação a insumos externos, o que pode comprometer a estabilidade dos preços futuros”, analisa Zalewski.
Diante desse cenário, a Polônia pressionou a Comissão Europeia em novembro para aplicar tarifas sobre fertilizantes importados da Rússia e da Belarus. Países como Lituânia, Letônia e Estônia apoiaram a medida, enquanto outras nações da União Europeia afirmaram que estudarão a questão. O Ministério do Desenvolvimento e Tecnologia da Polônia estimou que as tarifas possam alcançar 30%, em uma tentativa de equilibrar o mercado interno e reduzir a vulnerabilidade do setor agrícola.
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