A ofensiva militar israelense no norte da Faixa de Gaza já deixou cerca de 5 mil palestinos mortos ou desaparecidos em 100 dias de ataques incessantes, mesmo diante de negociações para um possível acordo mediado entre Israel e Hamas. Além disso, 9.500 palestinos ficaram feridos, conforme informou uma fonte médica ao Al Jazeera neste domingo.
O Governo de Gaza descreveu a ofensiva como "a forma mais horrenda de limpeza étnica, deslocamento e destruição", impactando centenas de milhares em uma área devastada pela guerra. Segundo a jornalista Hind Khoudary, em Deir el-Balah, o norte de Gaza transformou-se em uma "região fantasma", marcada por destruição e escombros, embora alguns ainda resistam e se recusem a abandonar suas casas.
Hospitais e civis sob ataque O Hospital Kamal Adwan, principal unidade de saúde do norte, foi incendiado e destruído pelas forças israelenses em dezembro, com o diretor Hussam Abu Safia ainda desaparecido. Ataques israelenses têm atingido escolas, abrigos improvisados e até hospitais, atingindo civis em locais considerados seguros. No sábado, oito palestinos foram mortos em uma escola transformada em abrigo no norte de Jabalia, classificada por Israel como um "centro de comando" do Hamas.
A Defesa Civil de Gaza relatou que, nos últimos cinco dias, 70 crianças foram mortas por ataques em todo o território. A situação humanitária é agravada pela escassez de ajuda, bloqueada em sua maioria pelas forças israelenses, enquanto famílias enfrentam condições de fome e frio intenso.
Esforços diplomáticos e resistência interna Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizou chefes de segurança israelenses a negociarem no Catar a libertação de reféns e prisioneiros palestinos, líderes israelenses reiteraram que a guerra não terminará, mesmo com um acordo. Paralelamente, setores da extrema-direita do governo pressionam contra negociações, ameaçando a estabilidade da coalizão de Netanyahu.
Impacto humanitário alarmante Desde o início do conflito, o Ministério da Saúde de Gaza estima que pelo menos 46.565 palestinos foram mortos e 109.660 ficaram feridos. Segundo a UNICEF, 1,1 milhão de crianças em Gaza necessitam de suporte psicológico em meio a deslocamentos forçados, bombardeios e condições de vida catastróficas. A ONU também calcula que 19 mil crianças ficaram órfãs desde o início da guerra, agora em seu 16º mês.
A guerra ainda ceifou as vidas de 203 jornalistas, refletindo os perigos de reportar sobre uma crise que não dá sinais de cessar.
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