Justin Trudeau renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Canadá

Após enfrentar uma das mais graves crises políticas de seus nove anos no poder, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou que deixará o cargo de líder do Partido Liberal e de primeiro-ministro assim que um sucessor for escolhido. Em comunicado feito na segunda-feira, diretamente de sua residência oficial em Ottawa, Trudeau apontou os “conflitos internos” dentro do partido como motivo principal para sua decisão, afirmando que essas disputas tornaram inviável sua liderança nas próximas eleições, marcadas para outubro.

"Este país merece uma escolha verdadeira nas próximas eleições, e ficou claro para mim que, se preciso lutar batalhas internas, não serei a melhor opção nesse pleito", declarou Trudeau.

O anúncio ocorre em meio a um declínio expressivo nos índices de aprovação do governo e a pressões crescentes da bancada liberal. Trudeau também solicitou à presidência do Partido Liberal que inicie imediatamente o processo de escolha de um novo líder, além de requisitar a prorrogação das atividades parlamentares, que ficarão suspensas até 24 de março.

Enquanto isso, os parlamentares canadenses estão em recesso, com retorno previsto para 27 de janeiro.

A renúncia de Trudeau marca sua primeira aparição pública desde que Chrystia Freeland, ex-ministra das Finanças e vice-primeira-ministra, renunciou ao gabinete em 16 de dezembro. Freeland, cuja biografia gerou polêmicas devido à colaboração de seu avô ucraniano com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, deixou o governo após divergências sobre a estratégia canadense diante do anúncio de tarifas de 25% sobre importações feito pelo então presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

Para tentar evitar uma guerra comercial, Trudeau chegou a viajar ao resort Mar-a-Lago de Trump, mas os esforços pareceram agravar a situação política.

Trudeau, filho do ex-primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau, chegou ao poder em 2015, conduzindo os liberais a vitórias consecutivas nas eleições de 2019 e 2021. Durante seus primeiros mandatos, destacou-se por reformas no Senado, pela legalização da cannabis, pela assinatura de um novo acordo comercial com os EUA e pela realização de uma investigação pública sobre mulheres indígenas desaparecidas e assassinadas. Ele também aprovou a legislação que permite o suicídio medicamente assistido.

Entretanto, sua popularidade foi abalada por políticas impopulares, como o imposto sobre carbono, o aumento da imigração em massa, as severas medidas de lockdown durante a pandemia de Covid-19 e a repressão ao protesto dos caminhoneiros da "convoy da liberdade". Trudeau também foi criticado por adotar uma postura extrema em questões LGBT e por chamar críticos de "racistas", enquanto enfrentava acusações de ter aparecido em blackface no passado.

Pesquisas recentes mostram que os liberais estão atrás dos conservadores liderados por Pierre Poilievre. Com a inflação em alta e as políticas de seu governo sob ataque, líderes da oposição e até mesmo membros do Partido Liberal pressionaram Trudeau a não buscar um quarto mandato.

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