O general Abdel Fattah Al-Burhan, líder de fato do Sudão e comandante das Forças Armadas, acusou as "potências coloniais" de alimentarem conflitos no continente africano. As declarações foram feitas durante um encontro com o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, em Bissau, informou no domingo o Conselho Soberano de Transição do Sudão (CSTS).
Durante a reunião, os líderes discutiram relações bilaterais e formas de fortalecer a cooperação em diversas áreas. Embaló expressou desejo de que o Sudão alcance a paz rapidamente, segundo nota do CSTS.
O Sudão enfrenta uma guerra civil brutal desde abril de 2023, desencadeada por desentendimentos sobre a transição planejada para um governo civil. O conflito, iniciado na capital, espalhou-se por todo o país, provocando o que as Nações Unidas classificaram como uma "crise humanitária de proporções estarrecedoras". De acordo com um relatório recente da ONU, mais de 11,5 milhões de pessoas estão deslocadas internamente e outras 3,2 milhões buscaram refúgio em países vizinhos.
Em Bissau, Al-Burhan apresentou um relatório detalhado sobre a escalada da violência no Sudão, qualificando as Forças de Suporte Rápido (RSF) como uma organização terrorista que ataca o Estado e suas instituições.
O general afirmou que há "potências coloniais trabalhando para fomentar conflitos no continente africano" e destacou que a África está passando por um "despertar que a capacita a resistir à interferência estrangeira". Ele elogiou os esforços de nações africanas que se posicionaram contra o colonialismo antigo e moderno.
Al-Burhan já havia mencionado uma "campanha colonial" contra o Sudão durante encontro com o presidente interino do Mali, Assimi Goita, em Bamaco, primeira parada de sua turnê por países africanos iniciada no sábado. Ele também planeja visitar Serra Leoa e Senegal.
Segundo o CSTS, o presidente malinês reafirmou o apoio do Mali ao Sudão diante dos desafios enfrentados. No encontro, Al-Burhan declarou a intenção de combater o "neocolonialismo" e reforçou a importância da cooperação entre Bamaco e Cartum no combate ao terrorismo regional.
O Sudão, governado pelo Reino Unido sob o Condomínio Anglo-Egípcio de 1899 até sua independência em 1956, carrega as marcas de um legado colonial que dividiu o que foi o maior país da África. Essa divisão resultou na independência do Sudão do Sul em 2011, após décadas de guerra civil.
Nos últimos anos, vários países africanos, como Mali, Burkina Faso e Níger, têm expressado desconfiança em relação aos seus antigos colonizadores, como a França, rompendo laços de defesa com Paris.
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