A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, concordou em pagar US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões) para encerrar um processo movido pelo ex-presidente Donald Trump, que acusava a empresa de censura após ter seus perfis suspensos em 2021. O acordo inclui US$ 22 milhões destinados à biblioteca presidencial de Trump, enquanto o restante cobrirá despesas jurídicas e compensações a outros autores do processo, segundo o Wall Street Journal.
O processo fazia parte da ofensiva legal de Trump contra as gigantes das redes sociais, que baniram suas contas após a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Embora a Meta não tenha admitido culpa, decidiu encerrar o litígio após longas negociações, intensificadas depois de um encontro entre Mark Zuckerberg e Trump em Mar-a-Lago, em novembro de 2024.
Além do acordo, a Meta tem tomado medidas para reaproximar-se de Trump e sua base política. No início deste mês, a empresa descontinuou seu programa de verificadores de fatos nos EUA, um sistema frequentemente criticado por viés político. Em um pronunciamento em vídeo, Zuckerberg reconheceu que o serviço havia se tornado "politicamente tendencioso" e que "destruiu mais confiança do que construiu".
Zuckerberg também atribuiu as mudanças ao atual cenário político, incluindo a vitória de Trump nas eleições. "As eleições recentes parecem marcar um ponto de inflexão cultural para priorizarmos novamente a liberdade de expressão", afirmou o CEO, prometendo reduzir os mecanismos de "censura".
Outra medida polêmica foi a decisão da Meta de eliminar seus programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), além de revisar suas políticas de contratação, que anteriormente levavam em conta fatores como gênero e origem racial dos candidatos.
Trump originalmente processou Twitter, Google e Facebook em 2021, alegando que as empresas estavam cerceando a liberdade de expressão ao banirem sua presença online. O caso contra o Twitter foi arquivado em 2022, pouco antes da aquisição da plataforma por Elon Musk. Já a Meta restabeleceu os perfis de Trump no Facebook e Instagram em 2023, impondo diretrizes para evitar reincidências.
O acordo com a Meta não é o único ganho recente para Trump. No mês passado, a ABC News também aceitou pagar US$ 15 milhões para sua biblioteca presidencial, como parte da resolução de um processo por difamação.
Nos Estados Unidos, as bibliotecas presidenciais são uma tradição desde o governo de Franklin D. Roosevelt, servindo como arquivos históricos de ex-presidentes. A Biblioteca Presidencial Donald J. Trump será a 15ª sob administração do Arquivo Nacional dos EUA (NARA), funcionando, por enquanto, apenas como um repositório digital, sem planos anunciados para uma sede física.
Comentários
Postar um comentário