A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou que o país recebeu 4.094 pessoas deportadas dos Estados Unidos na primeira semana do mandato de Donald Trump. Desse total, a maioria é de cidadãos mexicanos, mas também inclui estrangeiros de outras nacionalidades. Sheinbaum destacou que não houve “aumento substancial” na chegada de não mexicanos, mas ressaltou a importância de “diálogo e respeito” nas relações bilaterais.
O anúncio ocorre em um momento delicado para a diplomacia latino-americana, com Trump prometendo uma política de “deportação em massa” e “América Primeiro”. Recentemente, o presidente dos EUA entrou em conflito com a Colômbia após o governo de Gustavo Petro se recusar a aceitar deportados em voos militares. Trump respondeu com ameaças de tarifas de 25% a 50% sobre produtos colombianos e o cancelamento de vistos, mas Petro recuou, permitindo a retomada dos voos.
Sheinbaum também enfrenta pressão para negociar com os EUA. Em dezembro, ela afirmou que o foco do México seria “receber mexicanos”, mas admitiu a possibilidade de aceitar estrangeiros deportados, desde que haja “coordenação prévia” com outros governos. A presidente citou o exemplo de seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador, que concordou em receber até 30 mil migrantes mensais de países como Cuba, Venezuela e Haiti durante o governo Joe Biden.
Além disso, Sheinbaum não descartou a retomada da polêmica política “Permanência no México”, implementada por Trump em 2019 e encerrada por Biden em 2021. O programa exigia que solicitantes de asilo aguardassem no México a análise de seus pedidos nos EUA, mas foi criticado por expor migrantes a abusos de cartéis e autoridades corruptas.
Enquanto isso, o governo mexicano lançou o programa “México te Abraça”, para receber deportados com “os braços abertos”. Sheinbaum elogiou a resolução do conflito entre EUA e Colômbia, afirmando que “o diálogo e o respeito devem prevalecer”.
A Casa Branca, por sua vez, comemorou a cooperação mexicana, destacando que o país aceitou “um recorde de 4 voos de deportação em um único dia”. No entanto, as tensões regionais devem persistir, especialmente após o Brasil denunciar o uso de algemas em voos de deportação como um “desrespeito flagrante aos direitos humanos”.
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