O Ministério da Defesa da Alemanha e as Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr) anunciaram, que suspenderão suas publicações na plataforma X (anteriormente Twitter), alegando que a troca de informações “factuais” está se tornando cada vez mais difícil na rede social. A decisão ocorre em meio a crescentes tensões entre o governo alemão e Elon Musk, dono da plataforma, que frequentemente critica o governo alemão, acusando-o de promover o “vírus mental woke” e levar o país à ruína.
Musk, que comprou o Twitter em outubro de 2022 e renomeou a plataforma para X, tem sido alvo de críticas por suas posições políticas. Recentemente, ele endossou o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) e realizou uma entrevista com a líder do partido, Alice Weidel, alimentando a controvérsia em torno de sua visão política. As declarações de Musk e seu apoio à AfD causaram desconforto na Alemanha, onde o partido é amplamente acusado de extremismo, mas que vem ganhando apoio nas últimas semanas, especialmente por suas posturas em relação à imigração e à economia.
Em comunicado oficial, o Ministério da Defesa declarou que manterá seu canal no X inativo “até segunda ordem” e que, por ora, não fará novas postagens. A nota enfatiza que a troca factual de ideias está se tornando cada vez mais difícil na plataforma e que, a partir de agora, a comunicação será feita por comunicados à imprensa, grupos no WhatsApp, YouTube, Instagram e outras redes sociais. O ministério também deixou claro que poderá recorrer ao X apenas em caso de “campanhas de desinformação”.
Este movimento segue uma série de saídas de instituições e organizações alemãs da plataforma. Mais de 60 universidades e institutos de pesquisa anunciaram sua retirada do X, citando uma “radicalização crescente” do ambiente online. Dois sindicatos e até o Supremo Tribunal Federal também se afastaram da plataforma. A mudança de postura ocorre em meio à crescente polarização política em Berlim e à preparação para as eleições parlamentares previstas para o final de fevereiro de 2025, após a queda da coalizão semáforo liderada por Olaf Scholz.
O chanceler Olaf Scholz, por sua vez, afirmou que continuará utilizando a plataforma por enquanto. Em declarações oficiais, seu porta-voz ressaltou a dificuldade de encontrar um “equilíbrio” em relação ao uso do X, que está longe de ser isento de controvérsias, especialmente em relação ao papel de Musk na política global.
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