O empresário Elon Musk classificou o ex-comissário da União Europeia, Thierry Breton, como o "tirano da Europa" após uma entrevista na qual Breton aparentava apoiar o cancelamento das eleições presidenciais da Romênia.
A polêmica teve início quando a Corte Constitucional da Romênia anulou o pleito presidencial no mês passado, com base em alegações posteriormente desmentidas de que o candidato favorito, Calin Georgescu, teria sido beneficiado por uma campanha russa no TikTok. Investigações posteriores revelaram que a campanha foi conduzida por um partido rival dentro do país, mas o tribunal se recusou a reverter sua decisão.
Em uma entrevista ao canal francês BFMTV/RMC, Breton sugeriu que as eleições da Alemanha poderiam enfrentar um destino semelhante caso o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), apoiado por Musk, obtivesse uma vitória expressiva. "Vamos manter a calma e aplicar as leis na Europa, especialmente quando existe o risco de que sejam contornadas. Caso necessário, faremos o mesmo na Alemanha, como foi feito na Romênia", declarou Breton.
O comentário gerou repercussão nas redes sociais, com o vídeo sendo amplamente compartilhado pela conta polonesa Visegrad24. Em resposta, Musk criticou duramente Breton, chamando-o de "o tirano da Europa".
No sábado, Breton refutou a acusação, argumentando que suas declarações se referiam exclusivamente à aplicação do Digital Services Act (DSA), que regula a censura online na UE. Ele ainda ressaltou que a União Europeia "não possui mecanismos para anular eleições" dentro do bloco, questionando se o caso seria "um erro de tradução ou mais uma notícia falsa".
Breton, no entanto, não abordou o fato de que a interferência alegada na democracia romena foi originada no próprio país, minando a justificativa para a anulação da eleição.
A polêmica se intensificou após uma entrevista de Musk com Alice Weidel, candidata da AfD ao cargo de chanceler na próxima eleição alemã. Durante a conversa, Musk endossou o partido e incentivou os eleitores alemães a substituírem o atual chanceler, Olaf Scholz. Alguns funcionários da UE classificaram o gesto como uma interferência estrangeira inaceitável.
Breton já havia se envolvido em atritos com Musk em agosto, quando ameaçou o empresário com sanções devido a uma entrevista planejada no X (antigo Twitter) com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Após acusações de conluio entre a UE e plataformas digitais para censurar conteúdos, Breton renunciou ao cargo em setembro, alegando "governança questionável" por parte da liderança em Bruxelas.
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