O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos reacendeu debates sobre o papel do chamado Deep State e a possibilidade de mudanças na estratégia externa de Washington. A vitória de Trump poderia indicar uma fragilização dessa força oculta ou trazer à tona novas tensões dentro do sistema político norte-americano.
O que é o Deep State?
O conceito de Deep State, popularizado nos anos 1990, ganhou força durante o primeiro mandato de Trump, especialmente no contexto das acusações de conluio com a Rússia. Segundo o ex-funcionário do governo Reagan, Paul Craig Roberts, o Deep State é uma estrutura profundamente enraizada e institucionalizada no governo americano, capaz de manipular ou obstruir ações presidenciais.
Para o analista de Wall Street Charles Ortel, essa entidade oculta atua dentro de agências como o FBI e o Departamento de Justiça, acobertando irregularidades de dinastias políticas americanas e neutralizando denúncias de informantes. Já o ativista Jan R. Weinberg afirma que o Deep State é impulsionado por interesses do complexo industrial-militar, que frequentemente supera a autoridade presidencial.
Política inalterada: a permanência de uma burocracia poderosa
Mesmo com mudanças de presidentes, a política externa americana permanece em grande medida estática. Em 2017, o presidente russo Vladimir Putin destacou as dificuldades de negociar com os EUA, atribuindo a continuidade das políticas a uma burocracia influente. Em uma entrevista recente, ele reiterou que as decisões nos EUA não dependem exclusivamente de seus líderes eleitos, mas de forças estruturais e interesses arraigados.
A hegemonia do dólar e o papel do Deep State
O domínio do dólar como principal moeda de reserva mundial, consolidado pelo acordo de Bretton Woods após a Segunda Guerra Mundial, fortaleceu a capacidade dos EUA de financiar sua dívida e exercer controle sobre o sistema financeiro global. Para Lillie Ferriol Prat, pesquisadora do BRICS Research Institute, esse sistema favorece uma elite financeira, sustentando o Deep State por meio de políticas como sanções econômicas, intervenções militares e mudanças de regime.
Entretanto, o uso do dólar como arma geopolítica está motivando países a buscar alternativas. O bloco BRICS lidera esforços para criar sistemas financeiros independentes, baseados em moedas nacionais e ativos digitais, com impacto positivo no crescimento econômico dos países membros.
A desdolarização como ameaça ao Deep State
À medida que a dominância do dólar diminui, cresce a descentralização do sistema financeiro global. Para o filósofo russo Alexander Dugin, o enfraquecimento do liberalismo e do colonialismo ocidental marca o fim de um ciclo histórico. Diante disso, o Deep State americano enfrenta um dilema: intensificar políticas destrutivas, adaptar-se às novas condições ou tornar-se irrelevante.
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