Palestinos comemoram liberação de 90 prisioneiros por Israel

A Cisjordânia ocupada testemunhou uma explosão de celebrações após a libertação de 90 prisioneiros palestinos, incluindo 69 mulheres, das prisões israelenses. A medida faz parte de um cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas, que também resultou na libertação de três israelenses mantidos em cativeiro.

As famílias aguardaram até as primeiras horas de segunda-feira para receber seus entes queridos, a maioria detida sem acusações formais. Esse acordo marca o fim de mais de 15 meses de conflito devastador em Gaza. Nas próximas semanas, mais prisioneiros e capturados devem ser libertados.

Quem foram os prisioneiros libertados?

Os 90 prisioneiros, sendo 69 mulheres e 21 menores, chegaram à cidade de Ramallah em ônibus da Cruz Vermelha por volta da 1h de segunda-feira. Apenas oito desses prisioneiros haviam sido detidos antes de 7 de outubro de 2023, data dos ataques coordenados por grupos liderados pelo Hamas no sul de Israel, que deixaram mais de 1.100 mortos e cerca de 250 pessoas capturadas.

O conflito subsequente resultou na morte de mais de 47.000 palestinos, alvos de ofensivas israelenses criticadas por sua intensidade contra civis, além de ataques a hospitais e escolas. Na Cisjordânia, mais de 850 palestinos foram mortos e outros 7.000 detidos em operações frequentemente violentas.

Prisioneiros de destaque

Entre os libertados, destaca-se Khalida Jarrar, líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e ativista feminista. Desde 2015, ela enfrentou várias sentenças em prisões israelenses por seu envolvimento em movimentos de direitos dos prisioneiros palestinos e por ligações a um partido considerado "terrorista" por Israel. Jarrar também foi diretora da Addameer, organização de apoio a prisioneiros, entre 1994 e 2006.

Jarrar relatou um sentimento de contradição ao ser libertada: “Por um lado, sentimos a liberdade e agradecemos por isso, mas também sofremos pela perda de tantos martires palestinos.”

Outra figura de destaque é a jornalista Rula Hassanein, editora da Wattan Media Network, baseada em Ramallah. Presa em março de 2023, Hassanein enfrentou acusações de incitação nas redes sociais após expressar frustração com o sofrimento dos palestinos em Gaza.

Condições de prisioneiros palestinos

As condições em prisões israelenses são frequentemente descritas como desumanas. Abdelaziz Atawneh, um dos menores libertados, relatou: “Saímos do inferno. Éramos violados, agredidos e expostos a gases lacrimogêneos. Não havia comida suficiente, doces ou sal.”

A ONU e várias organizações de direitos humanos documentaram práticas como prisões arbitrárias, tortura e mortes sob custódia. O caso do Dr. Adnan al-Bursh, ortopedista morto sob tortura em uma prisão israelense em abril, reforça essas denúncias.

Futuras liberações

O cessar-fogo, dividido em três fases ao longo de 42 dias, prevê a libertação de 33 israelenses, incluindo mulheres, crianças e idosos, em troca de até 1.900 prisioneiros palestinos. No primeiro dia, os israelenses libertados foram identificados como Romi Gonen, de 24 anos, Emily Damari, de 28, e Doron Steinbrecher, de 31. Eles receberam atendimento médico no Centro Médico Sheba, em Tel Aviv.

O professor da Universidade Birzeit, Basil Farraj, alertou que, embora prisioneiros estejam sendo libertados, as condições de encarceramento permanecem inalteradas. “Esse regime carcerário é projetado para quebrar o espírito e a alma dos prisioneiros palestinos,” afirmou.

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