Um massacre brutal deixou pelo menos 184 mortos em Porto Príncipe, capital do Haiti, durante o último fim de semana, conforme estimativas da ONU. As vítimas, em sua maioria idosos, foram executadas em uma onda de violência supostamente comandada por Monel Felix, conhecido como Mikano, líder de uma gangue que controla a região do porto de Wharf Jeremie.
O epicentro do massacre foi Cité Soleil, um dos bairros mais pobres e densamente povoados da capital. Segundo Volker Turk, chefe de direitos humanos da ONU, "o líder de uma poderosa gangue em Porto Príncipe foi responsável pela orquestração da violência que ceifou tantas vidas neste fim de semana."
O ataque teria sido motivado por um desentendimento entre Mikano e praticantes locais do vodu, uma religião sincrética amplamente difundida no Haiti, muitas vezes associada a feitiçaria. Após a morte de seu filho, Mikano teria consultado um sacerdote vodu e, insatisfeito com o desfecho do encontro, ordenado as execuções.
De acordo com o Comitê pela Paz e Desenvolvimento, uma organização civil haitiana, "Mikano decidiu punir cruelmente idosos e praticantes de vodu, imaginando que poderiam ter lançado um feitiço contra seu filho." Relatos indicam que membros de sua gangue identificaram e capturaram as vítimas em suas casas, levando-as ao reduto do líder para serem torturadas e assassinadas. Corpos mutilados foram posteriormente queimados nas ruas.
A ONU condenou firmemente o massacre, ressaltando que a violência crescente já vitimou cerca de 5.000 pessoas no Haiti apenas neste ano. A crise no país se agravou desde o assassinato do presidente Jovenel Moise, em 2021, quando gangues passaram a dominar extensas áreas do território.
Uma tentativa de reorganização política foi iniciada recentemente, com um conselho de transição encarregado de escolher novos líderes para formar um governo capaz de restaurar a ordem.
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