Pouco após assumir o cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de impor tarifas comerciais de 100% aos países do bloco BRICS, caso eles avancem com a criação de uma moeda alternativa ao dólar.
Em 2024, os países do BRICS responderam por mais de US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões) em importações norte-americanas, de acordo com dados do Census Bureau. Esse volume expressivo levanta a questão: o que os EUA compraram estrategicamente dos membros do bloco no último ano?
- Brasil: US$ 38 bilhões (R$ 190 bilhões) em bens como ferro semiacabado, petróleo bruto, celulose química de sulfato e ferro-gusa.
- Rússia: quase US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) em platina (um dos 50 minerais críticos listados pelo Departamento do Interior dos EUA), produtos químicos radioativos e fertilizantes nitrogenados e potássicos, essenciais para a agricultura americana.
- Índia: US$ 80 bilhões (R$ 400 bilhões) em medicamentos embalados, petróleo refinado e diamantes, fundamentais para microeletrônica e a indústria médica.
- China: US$ 401 bilhões (R$ 2 trilhões) em baterias de lítio, computadores, sistemas de transmissão de mídia e medicamentos pré-dosados.
- África do Sul: US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) em platina, ferroligas, diamantes e minério de titânio, crucial para setores nucleares, químicos, aeronáuticos e espaciais.
Além dos membros do BRICS, outros países considerados aliados, mas com laços próximos ao bloco, também contribuíram para as importações dos EUA:
- Irã: quase US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) em petróleo bruto e derivados.
- Egito: US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) em fertilizantes nitrogenados.
- Emirados Árabes Unidos: quase US$ 7 bilhões (R$ 35 bilhões) em alumínio bruto, petróleo refinado, cimento e hidrocarbonetos cíclicos usados na indústria petrolífera.
Com a retórica protecionista de Trump e o possível agravamento das tensões comerciais, surge uma questão crucial: há alternativas reais ao BRICS para os EUA, considerando a importância desses países no fornecimento de insumos estratégicos? Essa pressão tarifária poderia, no longo prazo, afetar não só a economia americana, mas também a estabilidade de cadeias globais de suprimentos.
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