Vaticano: Papa Francisco Confirma Existência de Arquivos sobre Escândalos de Abuso e Corrupção

Pela primeira vez, um Papa revelou a existência de documentos que detalham casos de abuso e corrupção dentro da Igreja Católica. Papa Francisco confirmou que, ao assumir o pontificado em 2013, herdou uma “grande caixa branca” com arquivos relacionados a crimes cometidos por membros do clero. Essa revelação faz parte de sua autobiografia Spera (Esperança).

Francisco tornou-se Papa após a renúncia inesperada de Bento XVI, o primeiro pontífice a abdicar em quase 600 anos, alegando problemas de saúde. O papado de Bento foi marcado por escândalos de abuso sexual na Igreja Católica, muitos dos quais ele foi acusado de encobrir. No final de seu pontificado, Bento também enfrentou o escândalo Vatileaks, que expôs alegações de corrupção, conflitos internos e má gestão financeira no Vaticano.

No livro, Francisco recorda sua visita a Bento XVI após sua eleição, no qual o pontífice emérito lhe entregou a caixa contendo os documentos. “Tudo está aqui”, disse Bento. “Documentos sobre as situações mais difíceis e dolorosas. Casos de abuso, corrupção, negócios obscuros, erros.” Ele revelou ainda que os documentos detalhavam as ações que ele tomou e as pessoas que afastou. O ex-papa indicou que agora era a vez de Francisco.

O pontífice atual, que completou 88 anos, afirmou em sua obra que seguiu o caminho iniciado por seu predecessor, embora sem entrar em detalhes sobre as ações específicas que tomou. O livro, coescrito com o autor italiano Carlo Musso, foi lançado na terça-feira, e é considerado a primeira vez que um Papa escreve uma crônica tão pessoal, embora Francisco tenha publicado outras obras em estilo de memórias anteriormente.

Em sua autobiografia, o Papa também defende maior participação feminina na vida eclesiástica, afirmando que “a Igreja é feminina – não masculina”, embora tenha descartado a possibilidade de mulheres se tornarem sacerdotes. O pontífice recorda, ainda, sua juventude em Buenos Aires, Argentina, incluindo uma briga com um colega que perdeu os sentidos ao bater a cabeça no chão, e confessa que, mesmo como líder da Igreja Católica, continua cometendo “erros e pecados”.

Outro momento marcante do livro foi a lembrança das tentativas de assassinato sofridas por Francisco durante sua visita ao Iraque em 2021. As memórias de sua jornada como Papa revelam, assim, um lado mais humano e vulnerável do líder católico.

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