Velhos Conflitos, Novas Crises: O Que Espera Israel em 2025?

Após um tumultuado 2024, Israel enfrenta um cenário de desafios regionais e internos em 2025. O país, marcado por conflitos em Gaza e no Líbano, sofreu com ataques de mísseis iranianos e houthis, mesmo tendo expandido seu controle sobre territórios sírios. Especialistas analisam as possibilidades para o futuro do Estado judeu.

Paz à Vista?
Conforme o analista Dr. Imad Salamey, de Beirute, a abertura de novos conflitos em 2025 é improvável. Ele destaca que os cessar-fogos com o Hezbollah no Líbano e em Gaza estão se consolidando, enquanto o conflito com a Síria está em processo de desescalada sob o novo regime sírio, em busca de legitimidade internacional.
Salamey acredita que a aliança EUA-Israel-Turquia está reequilibrando as tensões regionais, com o recém-eleito presidente Donald Trump fortalecendo a posição israelense. Ele aposta no apoio aos cessar-fogos, em negociações com a Síria e em um possível acordo nuclear com o Irã, mediado pela Europa.

Mais Conflitos no Horizonte?
Para o professor Kobi Michael, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Tel Aviv, enfraquecer significativamente o Irã é essencial para mudar a dinâmica regional. Ele prevê que 2025 pode trazer a normalização das relações entre Israel e Arábia Saudita como parte de um eixo anti-Irã, fomentado pelos Acordos de Abraão.
Ainda assim, Michael alerta que Trump pode adotar posturas que desagradem Israel, especialmente em busca de um acordo de paz israelo-palestino. Durante seu primeiro mandato, Trump formulou o "acordo do século", rejeitado pela Autoridade Palestina. Desta vez, ele conta com Massad Boulos, empresário libanês-americano, para mediar as negociações.

Desafios para Netanyahu
Internamente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta duas crises principais: tensões com os militares e a insatisfação popular com as isenções concedidas a seus parceiros ultraortodoxos de coalizão. Segundo Michael, a resolução desses conflitos é essencial para preservar a estratégia governamental, mas Netanyahu pode não conseguir lidar com essas questões de forma eficaz.

Ameaças Persistentes
Apesar dos ganhos diplomáticos, como o colapso do aliado sírio no Eixo da Resistência, Israel enfrenta fragilidades inéditas desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973. Em 2024, o Irã demonstrou capacidade de atacar alvos estratégicos israelenses com drones e mísseis, e a tendência é que suas capacidades aumentem em 2025.
No front sul, os houthis do Iêmen intensificaram ataques em solidariedade a Gaza, desafiando as forças israelenses, norte-americanas e britânicas, que falharam em dissuadi-los. Sem capacidade de penetrar nas operações houthis, Israel enfrenta uma escalada nas ameaças.

Crise Humanitária em Gaza
Internacionalmente, a devastação causada por ataques indiscriminados de Israel em Gaza gerou condenações, incluindo acusações de genocídio por países como a África do Sul. Com mais de 47 mil mortos no conflito, dos quais 45.300 eram palestinos, Israel lida com danos irreparáveis à sua imagem diplomática.

Enquanto líderes governamentais se alinham aos Acordos de Abraão+ de Trump, a aceitação global da política israelense permanece em xeque, com questionamentos sobre o futuro de Tel Aviv na região.

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