A Apple entrou em rota de colisão com a União Europeia após o lançamento do Hot Tub, um navegador de conteúdo adulto disponível para iPhones via lojas de aplicativos de terceiros. A polêmica surge sob as novas regras do Ato de Mercados Digitais (DMA), que obrigam a gigante tecnológica a permitir alternativas à sua App Store no bloco europeu.
A AltStore PAL, plataforma alternativa habilitada pelo DMA, disponibilizou o Hot Tub nesta semana, anunciando-o como “o primeiro aplicativo pornô aprovado pela Apple” — afirmação que a empresa americana rejeitou veementemente. “Jamais aprovaríamos esse conteúdo em nossa loja”, declarou Peter Ajemian, porta-voz da Apple, ao site The Verge. Ele destacou que a distribuição ocorre “por exigência da Comissão Europeia”, mas alertou para os “riscos de segurança” que apps desse tipo representam, “especialmente para crianças”.
O DMA, em vigor desde 2022, força a Apple a abrir seu ecossistema na UE, permitindo que usuários baixem aplicativos de marketplaces independentes. A empresa realiza uma revisão técnica básica (notarization) para detectar malwares, mas não avalia o conteúdo dos apps. Para a Apple, a flexibilização abre portas para serviços perigosos, incluindo pornografia e drogas ilegais — itens banidos há anos de sua loja oficial.
A AltStore rebateu, acusando a Apple de usar “pretextos de segurança para proteger seu monopólio”. Já Tim Sweeney, CEO da Epic Games, ironizou a postura da empresa: “O Reddit, que dá acesso a pornografia, tem classificação 17+ e até ganhou prêmio ‘Escolha dos Editores’ na App Store”, lembrou em postagem no X.
A tensão remonta à era Steve Jobs, que em 2010 defendeu a “responsabilidade moral” de banir pornografia dos iPhones, sugerindo que críticos “comprassem um Android”. Agora, sob pressão regulatória, a Apple vê seu controle rígido sobre o iOS desafiado — um terremoto num modelo de negócios que gerou US$ 78 bilhões em receita só em 2023.
Enquanto a UE insiste em “quebrar oligopólios digitais”, pais europeus se perguntam: até que ponto a liberdade de mercado justifica expor menores a conteúdos sensíveis? A discussão, como um jogo de xadrez geopolítico, ainda está longe do xeque-mate.
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