Apple sob investigação por uso de "minerais de sangue"

A Justiça da Bélgica iniciou uma investigação sobre denúncias de que a Apple, gigante da tecnologia dos EUA, teria incorporado "minerais de sangue" provenientes da República Democrática do Congo (RDC) em sua cadeia de suprimentos. As alegações, relatadas pelo Financial Times, apontam que esses minerais teriam sido adquiridos de áreas controladas por grupos armados.

Segundo o advogado Leo Fastenakel, representante do governo congolês na Bélgica, um magistrado belga foi designado para conduzir o caso após denúncias criminais apresentadas pela RDC em dezembro. Fastenakel descreveu o juiz como “rigoroso e sério”, mas sua identidade não foi divulgada.

As queixas acusam subsidiárias da Apple de utilizar minerais supostamente “saqueados” de regiões de conflito no leste do país. O Congo, maior produtor mundial de cobalto, um componente essencial para baterias de smartphones e veículos elétricos, tem enfrentado décadas de violência, exacerbadas pela atuação de grupos armados como os militantes do M23.

Um relatório intitulado Blood Minerals, divulgado em 2023 pela firma de advocacia com sede em Washington, Amsterdam & Partners LLP, revelou que grupos armados e empresas estariam contrabandeando minerais extraídos na RDC por meio de Ruanda, Uganda e Burundi. Esses recursos seriam, então, inseridos na cadeia de suprimentos global. Grandes empresas de tecnologia, incluindo Apple, Intel, Sony e Motorola, foram alertadas sobre o possível envolvimento com esses minerais adquiridos sob exploração violenta.

Em resposta, a Apple negou as acusações. Em um comunicado de dezembro, a empresa afirmou ter instruído seus fornecedores a não utilizarem minerais originados da RDC ou do Ruanda desde o início de 2024. Em março de 2024, a companhia reforçou essa posição junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (Securities and Exchange Commission), declarando que “não há evidências razoáveis” de que sua cadeia de suprimentos tenha financiado ou beneficiado grupos armados da região.

A RDC também registrou queixas semelhantes na França, destacando a complexidade jurídica e diplomática desse caso que expõe os impactos da mineração em áreas de conflito. A investigação belga pode abrir precedentes para maior escrutínio sobre práticas de fornecimento na indústria tecnológica global.

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