A ordem do presidente Donald Trump para desclassificar 5 mil documentos restantes sobre o assassinato de John F. Kennedy em 1963 reacendeu um quebra-cabeças histórico que mistura CIA, Israel e teorias que há seis décadas assombram o imaginário americano. Entre os papéis sob sigilo está um memorando de 1961 no qual JFK planejava "fragmentar a Agência [CIA] em mil pedaços" – revelação que ecoa como um trovão na relação conturbada entre o ex-presidente e os serviços secretos, após o fiasco da Invasão da Baía dos Porcos em Cuba.
A desclassificação, prevista para os próximos 45 dias, inclui também registros sobre os assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert F. Kennedy em 1968. Destaques polêmicos: transcrições de depoimentos de James Jesus Angleton, chefe de contraespionagem da CIA e aliado de espiões soviéticos, que supostamente mentiu ao Congresso sobre o programa nuclear israelense nos anos 1960. "Israel nunca confirmou nem negou", lembra um trecho dos arquivos, alimentando suspeitas de que o país teria operado nas sombras da Guerra Fria.
Apesar do entusiasmo de conspiracionistas, historiadores como Gerald Posner alertam: "Quem espera uma arma fumegante vai se decepcionar". Já Robert F. Kennedy Jr., sobrinho de JFK, vê na medida um golpe contra "60 anos de mentiras e censura" que, em suas palavras, teriam pavimentado crises como 11 de setembro e a guerra do Iraque.
O processo, porém, enfrenta obstáculos burocráticos. Pam Bondi (futura secretária de Justiça) e Tulsi Gabbard (indicada à chefia da Inteligência Nacional) – nomes surpreendentes para cargos-chave – terão de lidar com documentos que envolvem até vigilância da CIA no México, onde Lee Harvey Oswald esteve antes do atentado em Dallas.
Enquanto isso, o público se pergunta: será que os arquivos revelarão "pedaços de um quebra-cabeça", como sugere Tom Samoluk da Fundação JFK, ou servirão apenas para alimentar novas teorias? Em um mundo onde desinformação virou moeda corrente, abrir esta Caixa de Pandora histórica pode ser menos sobre esclarecer o passado e mais sobre iluminar as fissuras do presente.
Comentários
Postar um comentário