Criminalidade no varejo do Reino Unido atinge nível recorde, aponta pesquisa

A criminalidade no setor varejista do Reino Unido atingiu patamares alarmantes, com um aumento significativo de furtos e violência contra trabalhadores, segundo relatório divulgado pelo British Retail Consortium (BRC). O levantamento anual revelou que o país registrou mais de 20 milhões de incidentes de furto no último ano, o equivalente a 55 mil por dia, causando prejuízos de £2,2 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) aos varejistas.

Além dos furtos, os casos de violência e abuso contra funcionários também dispararam, ultrapassando 2 mil incidentes diários – um aumento em relação aos 1,3 mil registrados no ano anterior. Esse número é mais que três vezes maior que a média diária de 455 casos em 2020. Incidentes envolvendo armas dobraram, chegando a 70 por dia.

“A criminalidade no varejo está fora de controle”, afirmou Helen Dickinson, CEO do BRC. “Funcionários foram cuspidos, sofreram abuso racial e foram ameaçados com facões.” O relatório sugere que muitos desses incidentes estão ligados ao crime organizado, com gangues visando lojas de forma sistemática e roubando mercadorias que valem milhares de libras.

A insatisfação com a resposta policial a esses crimes também é alta: 61% dos entrevistados consideram o atendimento “ruim” ou “muito ruim”. “Com pouca confiança na presença da polícia, não é surpresa que os criminosos se sintam à vontade para roubar, ameaçar, agredir e abusar”, destacou Dickinson.

Em resposta ao relatório, as autoridades policiais afirmaram ter feito “avanços significativos” no combate à criminalidade no varejo no último ano. O novo governo trabalhista do Reino Unido prometeu medidas mais duras para enfrentar o problema.

O cenário econômico também preocupa. Dados da S&P Global mostram que as vendas no varejo continuaram a cair em janeiro, após um Natal decepcionante, e a confiança do consumidor atingiu o nível mais baixo desde o final de 2023. Além disso, os empregadores reduziram postos de trabalho no ritmo mais acelerado desde o auge da pandemia de Covid-19 em 2021. Excluindo o período de emergência sanitária, o ritmo de demissões é o maior desde a crise financeira global de 2009.

Segundo Chris Williamson, economista-chefe da S&P, o Reino Unido enfrenta um cenário de “estagflação”, com crescimento econômico lento e inflação alta. Outro relatório do BRC mostrou que os preços dos alimentos no país tiveram o maior aumento mensal desde abril do ano passado, um sinal preocupante para a economia.

Dickinson também alertou que os varejistas em breve sentirão o impacto de £7 bilhões (quase R$ 45 bilhões) em novos custos introduzidos no último orçamento pela Chanceler do Tesouro, Rachel Reeves. Na quarta-feira, Reeves anunciou uma reforma no sistema de benefícios do país para “impulsionar o crescimento econômico”.

Comentários