Êxodo em Massa no DOGE: Funcionários Renunciam para Não ‘Legitimar’ Gestão de Musk sob Trump

Um grupo de 21 funcionários federais dos EUA entregou cartas de demissão em bloco do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), acusando a gestão de Elon Musk – nomeado por Donald Trump – de “comprometer dados sensíveis” e promover ataques ideológicos. A renúncia coletiva, divulgada nesta terça-feira, expõe a crise em um órgão criado para modernizar serviços públicos, mas que agora opera como triturador de carreiras sob o lema de redução de custos.

Em carta obtida pela Associated Press, os demissionários – engenheiros e cientistas de dados ex-funcionários de Google e Amazon – afirmaram: “Não usaremos nossas habilidades para desmantelar serviços públicos ou legitimar ações do DOGE”. O grupo alertou que os cortes drásticos de pessoal (40 demitidos em fevereiro, 21 agora) deixam sistemas como Previdência, auxílio a veteranos e impostos vulneráveis, colocando em risco milhões de cidadãos.

A crise começou quando Trump, reeleito em novembro de 2024, transformou o Serviço Digital dos EUA (criado em 2014 para corrigir falhas tecnológicas) no DOGE, sob comando de Musk. O bilionário, que comparou o serviço público a uma “burocracia inútil”, exigiu na semana passada que funcionários justificassem suas atividades em 5 tópicos por e-mail – sob ameaça de demissão. A ordem, considerada ilegal por sindicatos, foi ignorada por agências federais.

Lisa Murkowski, senadora republicana do Alasca, criticou a gestão Musk: “Não se trata assim a força de trabalho. Eles merecem respeito”, disse, em referência aos cortes abruptos. Enquanto isso, Cordell Schachter, ex-diretor de TI do Departamento de Transportes, alertou: “Quebrar coisas no governo afeta cidadãos que não pediram por isso” – um recado à filosofia “move fast and break things” do CEO da Tesla.

O DOGE, que já teve 200 funcionários, hoje opera com menos de 30. Para os demissionários, a gota d’água foi a visita de agentes com crachás da Casa Branca interrogando colegas sobre alianças políticas – prática que chamaram de “caça às bruxas”.

Enquanto Trump e Musk travam batalhas judiciais para fechar agências como a USAID, o preço da eficiência a qualquer custo parece claro: serviços essenciais em colapso e dados de cidadãos na corda bamba.

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