Uma delegação do Hamas chegou ao Cairo nesta quarta-feira para discutir a frágil trégua em Gaza, em meio a ameaças de retomada dos combates por parte de Israel e dos EUA. O acordo, mediado por Egito e Catar, vive seu momento mais tenso desde que entrou em vigor em 19 de janeiro, com o grupo palestino acusando Israel de violar os termos ao limitar ajuda humanitária e atacar civis.
A Trégua sob Fogo Cruzado
O Hamas advertiu que adiará a próxima libertação de reféns israelenses prevista para sábado, citando o não cumprimento de cláusulas como o envio de barracas e medicamentos. Hazem Qassem, porta-voz do grupo, afirmou: “Israel deve respeitar o protocolo humanitário acordado”. Desde o início do cessar-fogo, 92 palestinos morreram e mais de 800 ficaram feridos em ataques israelenses, segundo Munir al-Bursh, do Ministério da Saúde de Gaza.
Do outro lado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, com apoio do presidente americano Donald Trump, ameaçou retomar a guerra se os reféns não forem libertados. Trump declarou que “o inferno se abrirá” caso o Hamas não cumpra o prazo, ecoado pelo ministro da Defesa Israel Katz: “A nova guerra será diferente e só terminará com a derrota do Hamas”.
O Abismo Humanitário e o Jogo Geopolítico
Gaza permanece à beira do colapso: 48.222 palestinos mortos, infraestrutura destruída e 1,9 milhão de deslocados. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha alertou que qualquer ruptura da trégua “recolocará a população no abismo”.
Enquanto isso, o plano de Trump para realocar palestinos para o Egito ou Jordânia enfrenta resistência firme. O presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi e o rei jordaniano Abdullah II rejeitaram a proposta em conversa telefônica, defendendo a reconstrução de Gaza “sem transferência de palestinos”. Ayman Safadi, chanceler da Jordânia, foi categórico: “Posições jordanianas são imutáveis: não aceitaremos deslocamento forçado”.
Protestos Globais e o Futuro Incerto
O Hamas convocou manifestações mundiais contra os planos de Trump, classificados como “limpeza étnica disfarçada”. Para Layla Hassan, analista política em Ramallah, “é um jogo de xadrez onde civis são peões. A comunidade internacional precisa frear essa escalada”.
Enquanto Netanyahu e Trump apostam em pressão máxima, a pergunta que ecoa é: quem pagará o preço de um novo capítulo dessa guerra sem fim?
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