Limpeza Étnica na Cisjordânia: O Silêncio Cúmplice da União Europeia

Enquanto um cessar-fogo frágil vigora em Gaza, Israel redirecionou sua máquina de guerra para a Cisjordânia ocupada, iniciando o maior deslocamento forçado de palestinos desde 1967. Dados do The Times of Israel revelam que 40,1 mil pessoas fugiram de campos como Jenin desde janeiro, após incursões militares que incluíram tanques – ausentes na região há 20 anos. O ministro da Defesa, Israel Katz, ordenou preparativos para uma "presença estendida" dos militares israelenses por pelo menos um ano, impedindo o retorno dos refugiados.

A hipocrisia europeia:
No mesmo dia em que Katz anunciou a operação, a União Europeia (UE) realizou em Bruxelas a 13ª Reunião do Conselho de Associação UE-Israel, celebrando laços comerciais. O documento oficial de 28 páginas menciona "preocupação" com direitos humanos, mas enfatiza: "A UE atribui grande importância às relações próximas com Israel". Enquanto isso, dois dias antes do encontro, soldados israelenses mataram duas crianças palestinas a tiros nas costas perto de Hebron.

O aval de Trump e a escalada:
O presidente americano Donald Trump sinalizou apoio tácito à anexação ilegal de territórios, declarando em fevereiro: "As pessoas gostam da ideia [de anexação], mas ainda não nos posicionamos." Na prática, a estratégia israelense repete métodos testados em Gaza: demolição de casas, assassinatos seletivos e justificativas baseadas no combate ao "terrorismo""São operações militares contra terroristas, sem outros objetivos", defendeu o chanceler israelense Gideon Sa’ar aos europeus.

Gaza: O genocídio em pausa
Antes da trégua, 15 meses de bombardeios em Gaza deixaram pelo menos 48.365 mortos – maioria mulheres e crianças –, além de 1,9 milhão de desabrigados. A ONU já classificou as ações israelenses como "consistentes com genocídio", citando fome deliberada e ataques a hospitais. Agora, a Cisjordânia vive sua própria catástrofe: além dos deslocados, colonos ilegais intensificam violência com respaldo do exército.

A farsa da "solução de dois Estados":
A UE reiterou apoio ao fim da ocupação iniciada em 1967 e à solução de dois Estados, mas manteve Israel como "parceiro estratégico" em comércio, tecnologia e segurança. "Como falar em paz enquanto financiamos quem a sabota?", questionam críticos, lembrando que o bloco é o maior parceiro comercial de Israel. Enquanto a UE pede "aceleração de sistemas alimentares justos", Israel usa fome como arma de guerra – ironia destacada no relatório do Conselho.

O futuro sombrio:
Com a Casa Branca flertando com anexações e a Europa priorizando negócios, a perspectiva palestina é de apagamento gradual. Trump já sugeriu transformar Gaza em um "resort estilo Riviera", e planos similares podem surgir para a Cisjordânia. Enquanto isso, a comunidade internacional normaliza crimes de guerra em troca de colaboração em "desafios globais" – um pacto que, segundo analistas, "torna cúmplice até quem condena o genocídio em discursos".

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