Em um encontro marcado por tensões estratégicas, o presidente francês Emmanuel Macron e o líder americano Donald Trump discutiram nesta segunda-feira na Casa Branca o papel da Europa na construção de uma "paz sólida e duradoura" na Ucrânia, no terceiro aniversário da invasão russa. Macron destacou que o continente está pronto para assumir "mais responsabilidades" em defesa e segurança, enquanto Trump reforçou que "o custo da paz deve ser arcado pela Europa".
"Não buscamos apenas o fim das hostilidades, mas garantias que estabilizem a região", afirmou Macron na Sala Oval, referindo-se à necessidade de mecanismos de segurança contra possíveis novas agressões de Vladimir Putin. O diálogo ocorre em meio a críticas de Trump ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, chamado de "ditador" na semana passada, e à exclusão de Kiev e da UE nas negociações diretas EUA-Rússia.
Atritos Transatlânticos
A pressão de Trump por um "acelerado acordo de paz" sem a participação europeia gerou desconforto. "A Europa não quer uma paz rápida, e sim estável", analisou Alan Fisher, correspondente da Al Jazeera em Washington. Macron, porém, tentou equilibrar os interesses: "Reengajar com Putin é necessário, mas só a força garante acordos respeitados", disse, defendendo capacidades de dissuasão continentais.
O republicano, por sua vez, elogiou a disposição europeia de enviar "tropas de paz" à Ucrânia em caso de cessar-fogo – proposta que, segundo ele, "Putin aceitaria". O assessor de segurança nacional Mike Waltz adiantou que garantias de segurança e tarifas comerciais contra a UE também estiveram na pauta.
Contexto Crítico
- Trump critica Zelenskyy por "negociar sem cartas na mesa" e sugere que a Ucrânia "precisa ceder territórios";
- Europa teme que acordos bilaterais EUA-Rússia "minem a soberania ucraniana";
- Macron tenta capitalizar relação próxima com Trump de seu primeiro mandato (2017-2021) para mediar a crise.
Especialistas como Rachel Rizzo (Atlantic Council) veem avanço: "A abertura de Macron para peacekeepers europeus é um sinal positivo, desde que aliada à força militar". Resta saber se a "paz sólida" imaginada por Paris alinhará o unilateralismo de Washington aos anseios de Kiev.
Comentários
Postar um comentário