O Plano Bilionário de Trump para Conter a Alta dos Ovos nos EUA: Entenda os Desafios e Críticas

Um simples ovo cozido virou artigo de luxo nos Estados Unidos. A cartela de 12 ovos alcançou o preço médio de US$ 4,95 (cerca de R$ 27,72) – o maior valor já registrado no país. O motivo? Uma combinação explosiva entre a gripe aviária H5N1, que dizimou mais de 160 milhões de aves desde 2022, e políticas de controle que agravaram a escassez. Agora, o governo de Donald Trump tenta reverter a crise com um pacote de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), mas especialistas questionam a eficácia a curto prazo.

Brooke Rollins, secretária de Agricultura, promete alívio: "Às famílias que não conseguem comprar ovos: estamos lutando por vocês", escreveu em artigo no Wall Street Journal. O plano inclui R$ 2,8 bilhões em subsídios para reforçar a biossegurança de granjas, R$ 2,24 bilhões para indenizar produtores e R$ 560 milhões para pesquisas de vacinas. Ainda assim, o governo mantém a controversa estratégia de abater todos os animais em focos do vírus, herdada da gestão Biden.

Enquanto isso, redes como Denny’s e Waffle House cobram taxas extras por pratos com ovos. Em Chicago, uma cartela chega a US$ 10 (R$ 56). "Um sanduíche de ovo virou iguaria", desabafou um consumidor à Reuters.

Por que a crise persiste?
A gripe aviária varreu os 50 estados americanos e Porto Rico, reduzindo o plantel de galinhas poedeiras para 304 milhões – queda de 11% em cinco anos. "Sem galinhas, não há ovos. E sem oferta, os preços disparam", explicou Jada Thompson, especialista em avicultura.

Apesar do otimismo de Rollins, que prevê preços entre US$ 1,30 e US$ 2 (R$ 7,28 a R$ 11,20) até 2026, o Departamento de Agricultura projeta alta adicional de 41% em 2025. Para amenizar a escassez, os EUA importarão 420 milhões de ovos da Turquia – menos de 0,5% do consumo interno.

Vacinas: solução ou novo problema?
Embora a indústria celebre o pacote governamental, cientistas como Gregory Gray, da Universidade do Texas, pressionam por vacinas. O desafio é evitar que o vírus se espalhe silenciosamente em aves imunizadas, o que poderia inviabilizar exportações. "Precisamos apagar esse incêndio", alertou Gray.

Enquanto isso, o ovo segue caro no prato do americano – e no radar da política.

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