Em uma entrevista divulgada na segunda-feira, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a participação dos países europeus nas negociações de paz para a Ucrânia é essencial para a resolução do conflito. Contudo, ele deixou claro que os representantes europeus não podem impor exigências a Moscou, enfatizando que essa questão é, fundamentalmente, uma relação bilateral entre a Rússia e os Estados Unidos.
Comentando as recentes conversas em Riyadh, que focaram na reconstrução da confiança entre Moscou e Washington e excluiram líderes ucranianos e da UE, Putin destacou que, para resolver problemas complexos — incluindo a crise ucraniana —, é necessário dar o primeiro passo na construção da confiança. Segundo ele, “isso é precisamente o que estávamos fazendo em Riyadh, e esse será o foco de nossos contatos futuros”. Ele questionou: “Mas o que os europeus têm a ver com isso?”, ressaltando que, embora a Rússia respeite a participação dos europeus, ela não aceita que eles determinem os rumos das negociações.
Putin também enfatizou a importância dos parceiros do BRICS, elogiando o grupo de defensores da paz formado por esses países. Em conversa com o presidente chinês Xi Jinping, ele informou que esse grupo se reunirá em breve em Nova York para discutir o assunto. “Estamos gratos a todos os nossos parceiros que se empenham em alcançar a paz. Não apenas os europeus, mas outros países também têm o direito de participar, e nós respeitamos isso”, concluiu.
O Departamento de Estado dos EUA elogiou as negociações, considerando-as um passo significativo para resolver a crise na Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, destacou que a reunião em Riyadh foi iniciada pelos presidentes russo e americano, os quais também concordaram em preparar uma cúpula para aprofundar as discussões.
Por fim, Putin reiterou que, apesar de já ter manifestado interesse em encontros bilaterais — como com o ex-presidente Donald Trump —, um simples “momento de café” não bastará para reparar as relações. Ele enfatizou a necessidade de preparação minuciosa de ambos os lados e afirmou que “não precisamos de mediadores” para resolver as nossas diferenças.
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