Rússia oferece nova tecnologia nuclear à Índia para reatores modulares

Rússia está em negociações com a Índia para transferir tecnologia de reatores modulares pequenos (SMRs, na sigla em inglês), visando impulsionar a geração de energia nuclear no país asiático. A gigante russa de energia nuclear Rosatom propôs a instalação desses reatores em áreas costeiras da Índia, segundo reportagem do Economic Times publicada nesta segunda-feira.

Rosatom, que já está envolvida na construção da maior usina nuclear da Índia, a Usina Nuclear de Kudankulam, no estado de Tamil Nadu, ofereceu a Nova Delhi cooperação em tecnologia SMR no ano passado. Vários documentos assinados entre os dois países em 2024 também indicam a intenção de colaboração nessa área, incluindo a declaração conjunta emitida durante a visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a Moscou em julho de 2024.

Durante a visita, Modi, acompanhado pelo presidente russo Vladimir Putin, visitou o Atom Pavilion, onde foi apresentado a diversas tecnologias e projetos nucleares, como quebra-gelos movidos a energia nuclear e usinas nucleares flutuantes. Putin destacou que essas inovações poderiam, no futuro, “substituir o petróleo produzido no mundo”. O diretor-geral da Rosatom, Aleksey Likhachev, afirmou que a Rússia pode oferecer reatores nucleares pequenos à Índia com “localização muito profunda” e transferir toda a parte de construção.

A Rosatom é a única empresa estrangeira envolvida na construção de uma usina nuclear na Índia. No entanto, o segmento de SMRs tem atraído interesse de outros países, como Estados Unidos e França, que também ofereceram colaboração à Índia.

A notícia surge um dia após o governo indiano anunciar a Missão de Energia Nuclear, com um investimento de 20 bilhões de rúpias (cerca de R$ 1,2 bilhão) no setor. A ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, ao apresentar o orçamento federal para o ano fiscal de 2025-26, destacou que a Índia planeja colocar em operação cinco SMRs até 2033.

A missão está alinhada com o compromisso da Índia de aumentar sua produção de energia limpa, com o objetivo de atingir 100 GW de capacidade de energia atômica até 2047. Nova Delhi também planeja alterar a legislação que rege o setor de energia nuclear e aproveitar essa fonte como parte de sua estratégia para alcançar emissões líquidas zero até 2070. Especialistas apontam que os SMRs podem ser uma solução viável para fornecer eletricidade em áreas remotas, onde métodos tradicionais de geração de energia são difíceis e caros.

Os SMRs representam uma nova geração de reatores nucleares, menores em tamanho e projetados de forma modular. Cada unidade pode gerar até 300 megawatts de eletricidade, cerca de um terço da capacidade de uma usina nuclear convencional. Além disso, os SMRs podem ser fabricados em fábricas e transportados para locais de instalação, onde são montados em áreas relativamente pequenas, equivalentes a aproximadamente dois campos de futebol.

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