Tanques Israelenses Retornam à Cisjordânia Após 20 Anos em Ofensiva Expansiva

Pela primeira vez em mais de duas décadas, tanques israelenses adentraram a Cisjordânia ocupada como parte de uma operação militar que já deslocou 40 mil palestinos de campos de refugiados no norte do território. O anúncio foi feito neste domingo pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que determinou a permanência das tropas na região por "todo o próximo ano" para evitar o retorno de moradores e combater a resistência armada.

A ofensiva, iniciada em 21 de janeiro – dois dias após o cessar-fogo em Gaza –, concentra-se nos campos de Jenin, Tulkarem e Tubas, onde blindados e bulldozers demoliram dezenas de casas, abriram rotas de acesso e destruíram infraestruturas básicas. Segundo a ONU, ao menos 51 palestinos (incluindo sete crianças) e três soldados israelenses morreram nos confrontos. "Os campos de Jenin e Tulkarem estão vazios", declarou Katz, reforçando a estratégia de "limpeza e controle permanente".

A movimentação de tanques é a primeira desde o fim da Segunda Intifada (2005) e ocorre em meio a tensões crescentes: desde outubro de 2023, 900 palestinos foram mortos por tropas ou colonos israelenses na Cisjordânia, segundo o Ministério da Saúde local. Autoridades palestinas classificaram a ação como "escalada perigosa" e exigiram intervenção internacional, acusando Israel de "agressão ilegal" para consolidar o domínio sobre os 3 milhões de palestinos sob ocupação militar.

Enquanto isso, imagens de um palestino fazendo o sinal de "V" diante de um tanque em Jenin viralizaram, simbolizando a resistência em um território onde explosivos abrem crateras em ruas e tubulações de água são arrancadas. Para analistas, a ofensiva reflete um novo paradigma de ocupação: não mais contenção pontual, mas remodelação geográfica e deslocamento massivo.

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