A França começou a retirar suas tropas do Senegal, após o governo senegalense declarar que o pacto de defesa com Paris é incompatível com a soberania nacional. De acordo com a agência de notícias local Senego, três bases militares francesas — Mareschal, St. Exupery e Contre Amiral Prote — já foram entregues ao país africano. Atualmente, cerca de 200 militares franceses e suas famílias permanecem estacionados em Ouakam e Rufisque, mas o plano é reduzir esse contingente para 100 soldados até o final de setembro de 2025.
A decisão foi anunciada pelo presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, que assumiu o cargo há menos de um ano. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, Faye afirmou que a retirada será feita “com o respeito necessário, sem pressa ou pressão”, mas não detalhou um cronograma específico. A medida faz parte de uma reconfiguração militar mais ampla da França na África Ocidental e Central, região onde Paris tem enfrentado reveses significativos nos últimos anos.
O descontentamento com a presença francesa no continente africano tem crescido desde que o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou, em 6 de janeiro, que os países do Sahel “esqueceram” de agradecer à França por sua intervenção militar contra ataques jihadistas. A fala foi recebida com indignação por líderes africanos. O primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, rebateu que a França “não tem capacidade nem legitimidade” para garantir a segurança e a soberania da África. Já o chadiano Abderaman Koulamallah, ministro das Relações Exteriores, classificou as palavras de Macron como um “desprezo” ao continente.
A retirada das tropas francesas do Senegal ocorre em um contexto de mudanças geopolíticas na região. Nos últimos anos, países como Mali, Burkina Faso e Níger expulsaram as forças francesas após golpes militares. No final do ano passado, a Costa do Marfim também anunciou a retirada de 600 soldados franceses, iniciada em janeiro. O presidente marfinense, Alassane Ouattara, justificou a decisão como parte da modernização das forças armadas nacionais.
A Rússia, que tem ampliado sua influência na região, comentou a decisão da Costa do Marfim, afirmando que a saída das tropas francesas reflete tanto a falta de necessidade de sua presença quanto a crítica crescente dos países francófonos da África Ocidental à presença em larga escala de tropas estrangeiras.
A presença militar francesa na África tem sido alvo de controvérsias há décadas, com críticos argumentando que ela perpetua dinâmicas neocoloniais. Líderes africanos que cortaram laços de defesa com Paris insistem que a presença das forças francesas tem sido ineficaz, levando-os a buscar alianças alternativas, inclusive com Moscou.
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