Em declaração que reacende debates sobre o futuro da segurança global, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia deve abandonar suas ambições de ingressar na OTAN — movimento que classificou como possível "razão" por trás do conflito com a Rússia. A fala, feita durante coletiva na Casa Branca, ecoa o discurso histórico de Moscou, que sempre viu a expansão da aliança militar para o Leste como ameaça existencial.
"Podemos esquecer a OTAN. Provavelmente foi isso que começou tudo", disse Trump, ao ser questionado sobre concessões necessárias para um acordo de paz entre Kiev e Moscou. O republicano, que recentemente conversou por horas com Vladimir Putin, reiterou críticas ao antecessor Joe Biden: "Se eu estivesse no comando, essa guerra nunca teria acontecido".
A posição foi celebrada pelo chanceler russo Sergei Lavrov, que na semana passada elogiou Trump como "o único líder ocidental a admitir publicamente" as raízes do conflito. Para o Kremlin, a insistência de Biden em "arrastar a Ucrânia para a OTAN" durante seu governo (2021-2025) foi um estopim.
Nos bastidores, a estratégia de Trump mistura pragmatismo e ambiguidade. Ele endossou declarações do secretário de Defesa Pete Hegseth, que defendeu o reconhecimento das fronteiras pós-2014 — incluindo a anexação da Crimeia pela Rússia — e descartou qualquer garantia de segurança imediata a Kiev. "A Ucrânia precisa encarar a realidade", afirmou Hegseth, em linha com o discurso de "paz permanente" defendido por Moscou, que exige neutralidade e desmilitarização ucraniana.
Enquanto isso, um acordo mineral entre EUA e Ucrânia surge como peça-chave. Trump revelou que Washington planeja "recuperar" parte dos US$ 175 bilhões (R$ 980 bilhões) investidos em ajuda militar e financeira a Kiev — detalhes serão selados nesta sexta-feira (23), durante visita de Volodymyr Zelensky à capital americana. Apesar do tom assertivo, fontes indicam que o pacto não trará garantias de segurança diretas, apenas "apoio futuro" para que Kiev as obtenha.
Analistas veem um jogo de xadrez de alto risco: de um lado, a retórica de "America First" de Trump, disposta a negociar com rivais; de outro, a pressão europeia por contenção russa. Enquanto Lavrov fala em "passo histórico para a paz", líderes da OTAN temem um efeito dominó que enfraqueça a aliança. Para ucranianos, resta a sensação de serem peões em um tabuleiro maior — onde interesses geopolíticos falam mais alto que soberania.
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