Trump avalia “terceirizar” presos dos EUA para El Salvador, sob proposta de Bukele

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ofereceu ao governo dos Estados Unidos uma solução polêmica para o problema carcerário americano: “terceirizar” presos, incluindo deportados e criminosos violentos, para o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), uma mega prisão de segurança máxima em Tecoluca. A proposta, descrita pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como “sem precedentes e extraordinária”, gerou debates sobre legalidade e direitos humanos.

Bukele, conhecido por sua guerra implacável contra gangues, propõe que os EUA paguem uma “taxa” pelo serviço, que ele considera “relativamente baixa” para Washington, mas suficiente para sustentar o sistema prisional salvadorenho. O CECOT, inaugurado em janeiro de 2023, foi construído a um custo de US115milhões (cerca de R$ 575 milhões) e tem capacidade para 40 mil detentos, mas abrigava apenas 14,5 mil em agosto de 2024, deixando espaço para presos americanos.

No entanto, a ideia enfrenta obstáculos legais e éticos. O presidente Donald Trump afirmou que “fecharia o acordo imediatamente” se tivesse o direito legal. No entanto, Lee Gelernt, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), alerta que deportar cidadãos americanos seria inconstitucional. Para não nacionais, o processo exigiria medidas legais complexas, incluindo acordos bilaterais.

Além disso, organizações de direitos humanos destacam o histórico de abusos e tortura nas prisões de El Salvador. O CECOT, parte da ofensiva de Bukele contra as gangues, é criticado por suas condições desumanas, incluindo superlotação e falta de assistência médica. “Enviar presos para um sistema com esse histórico é uma violação grave dos direitos humanos”, afirma Ana Piquer, diretora da Anistia Internacional para as Américas.

A proposta de Bukele reflete sua estratégia de projetar El Salvador como um aliado firme dos EUA, enquanto Trump busca soluções para reduzir custos com o sistema prisional americano, que abriga mais de 1,9 milhão de detentos. No entanto, a ideia de “exportar” presos para um país com um sistema carcerário tão controverso pode gerar mais polêmicas do que resultados.

Enquanto isso, Bukele continua a promover sua imagem de “homem forte”, capaz de resolver problemas que desafiam até as maiores potências. Resta saber se os EUA estarão dispostos a pagar o preço — não apenas financeiro, mas também ético — por essa parceria inusitada.

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