Em um encontro marcado por gestos de cortesia e divergências veladas, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o primeiro-ministro britânico Keir Starmer na Casa Branca. Os líderes discutiram segurança na Ucrânia, relações comerciais e o futuro da OTAN, mas os sorrisos não esconderam atritos sobre liberdade de expressão e estratégia no Oriente Médio.
O convite real e o jogo de cena:
Starmer, do Partido Trabalhista, surpreendeu ao presentear Trump com um convite assinado pelo rei Charles III para uma visita de Estado ao Reino Unido – aceito imediatamente. "Somos de tradições políticas diferentes, mas temos muito em comum", disse Starmer, ecoando o populismo do anfitrião. Trump brincou: "Você é um negociador durão. Não sei se gosto disso."
OTAN e o fantasma do Artigo 5:
Sob pressão, Trump reafirmou apoio ao Artigo 5 – cláusula de defesa mútua da OTAN –, mas com ressalvas: "Apoio, mas não acho que precisaremos usá-lo." Starmer, porém, insistiu no aumento de investimentos militares europeus, endossando a meta de 5% do PIB proposta por Trump – paradoxal, já que os EUA destinam 3,4% (US$ 967 bilhões).
Ucrânia: Paz ou mineração?
Enquanto Starmer defendeu um acordo que "não recompense o agressor" (Rússia), Trump revelou planos polêmicos: "Os EUA estarão 'cavando-cavando-cavando' solo ucraniano por terras-raras." O presidente americano também justificou negociar diretamente com Moscou: "É preciso engajar ambos os lados.", Trump se reúne com Volodymyr Zelensky para detalhar o acordo.
Gaza: Entre resorts e dois Estados
Starmer defendeu a solução de dois Estados para o conflito Israel-Palestina, criticando implicitamente a proposta de Trump de transformar Gaza em um "resort estilo Riviera". "O cessar-fogo deve permitir a reconstrução de vidas palestinas", afirmou. Trump, porém, manteve o tom vago: "É um bairro difícil, mas pode se tornar belo."
Comércio e liberdade de expressão:
A relação comercial bilateral, avaliada em US$ 148 bilhões (R$ 828,8 bilhões) em 2024, foi centro de debates. Trump criticou supostos desequilíbrios, enquanto Starmer rebateu: "Nossa relação é justa e recíproca." O vice JD Vance reacendeu polêmicas ao atacar supostas "restrições à liberdade de expressão no Reino Unido", levando Starmer a defender a tradição democrática britânica.
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