O ex-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, expressou forte apoio à expansão do bloco BRICS, destacando seu potencial para remodelar a dinâmica global e diminuir a dependência de sistemas dominados pelo Ocidente.
Em entrevista à RT, Zuma elogiou o BRICS como um mecanismo para promover relações internacionais mais inclusivas. "Acho isso absolutamente maravilhoso. O BRICS está avançando, e precisamos do BRICS. O BRICS está fazendo negócios com todos os outros", afirmou.
Zuma também ressaltou a disposição das nações africanas em se alinhar ao bloco. Segundo ele, tais iniciativas podem ajudar a reduzir as desigualdades globais, garantindo que "as pessoas não passem fome em alguns países, enquanto outros têm riqueza em excesso que não sabem como gastar".
O ex-líder sul-africano abordou, ainda, a questão da liberdade de imprensa. Questionado sobre a censura direcionada ao canal RT, Zuma se posicionou firmemente contra, defendendo que suprimir vozes é injustificável. "Por que as pessoas devem ser impedidas de dizer o que estão dizendo quando outros podem falar o que quiserem?", questionou, chamando essas ações de "injustificadas".
Ao tratar das formas contemporâneas de neocolonialismo, Zuma comentou sobre as recentes declarações do presidente francês Emmanuel Macron, que acusou algumas nações africanas de ingratidão pela intervenção militar francesa na região do Sahel. Para Zuma, Macron ignora a relação histórica de colonização da França com a África, afirmando que, "desde que a França colonizou a África, nunca a tornou melhor". O ex-presidente acusou a antiga metrópole de manter o controle sobre os recursos e economias africanas, mesmo após a descolonização.
Zuma também criticou a estratégia da França de manter forças militares nas ex-colônias e influenciar a alocação de recursos, o que, segundo ele, tem gerado insatisfação generalizada e contribuiu para os recentes golpes militares na África. "Foi isso que levou aos recentes golpes. Então, essa é uma declaração equivocada", disse em resposta aos comentários de Macron.
O ex-presidente afirmou que o continente africano está em um ponto de inflexão, com a possibilidade de se unir e tomar as rédeas de seu próprio desenvolvimento. No entanto, ele observou que o Ocidente "quer manter a África para baixo para continuar se beneficiando dela, para controlar a África", ressaltando a importância de garantir que os recursos do continente permaneçam sob o controle das próprias nações africanas. Ele concluiu afirmando a necessidade de uma mudança nas dinâmicas do comércio global, defendendo que as nações ocidentais devem "comprar, e não tomar, nossos recursos aqui".
Comentários
Postar um comentário