O conglomerado liderado pelo bilionário Gautam Adani anunciou sua retirada de um projeto de parque eólico no norte do Sri Lanka, após intensas disputas jurídicas sobre possíveis impactos ambientais. Desde a aprovação do empreendimento pelo governo do ex-presidente Gotabaya Rajapaksa em 2022, o projeto vem sofrendo forte oposição do atual governo, comandado pelo presidente Anura Kumara Dissanayake, que vê na iniciativa uma ameaça à soberania do setor energético do país.
Em comunicado, a divisão de energia renovável do grupo, Adani Green, declarou que, após dois anos de “discussões prolongadas” com o governo de Colombo e com a criação de comissões especiais para renegociar os termos do contrato, optou por se retirar do acordo. “Respeitamos plenamente os direitos soberanos do Sri Lanka e, por isso, decidimos, de maneira respeitosa, abandonar o projeto”, afirmou o comunicado.
O projeto, que previa a instalação de uma usina eólica de 484 MW em Mannar e Pooneryn, e a expansão das linhas de transmissão, contava com um investimento de aproximadamente R$5 bilhões (equivalente a US$1 bilhão) em 2022. Especialistas também criticaram a tarifa acordada de R$0,413 por kWh (US$0,0826) – que, segundo eles, causaria prejuízo para o país, sugerindo uma redução para cerca de R$0,025 por kWh (US$0,005). Além disso, moradores de Mannar e ativistas ambientais manifestaram receio de danos a um importante corredor de aves, chegando a recorrer ao Supremo Tribunal.
Esse episódio ocorre em meio a um cenário turbulento para Gautam Adani, que, meses atrás, foi acusado por promotores norte-americanos de suborno e fraude – acusações estas que, embora negadas pelo grupo, provocaram uma queda de aproximadamente R$135 bilhões (US$27 bilhões) na capitalização de mercado das suas empresas. A situação se agrava com problemas semelhantes em outro projeto do grupo, em Quênia, onde trabalhadores protestaram contra um acordo para a modernização do Jomo Kenyatta International Airport em troca de um investimento de cerca de R$9 bilhões (US$1,8 bilhão) e um arrendamento de 30 anos. Ademais, o conglomerado já havia enfrentado acusações de manipulação de mercado por parte da Hindenburg Research, que divulgou uma série de relatórios em 2023 e 2024 causando perdas significativas.
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