África: O Destino é dos Próprios Africanos

Em entrevista a presidente do Conselho da Federação, Valentina Matviyenko, enfatizou que o Ocidente não possui direito especial sobre o continente, pois o futuro da África pertence, exclusivamente, aos próprios africanos. Em uma análise incisiva, Matviyenko criticou a imposição do modelo democrático ocidental – que, segundo ela, se resume a um estereótipo ultrapassado – e denunciou a forma como países ocidentais impõem seus interesses sem considerar as leis, as tradições e a cultura locais, recorrendo à democracia como instrumento de subordinação, como ocorreu em Geórgia, Romênia e Moldávia.

A líder ressaltou que o mundo caminha para um sistema multipolar, no qual a África se consolida como um dos pilares fundamentais, graças ao seu vasto potencial, aos enormes recursos minerais e energéticos e à determinação de seus povos, que conquistaram a independência a um custo altíssimo. Ela recordou com orgulho o apoio prestado pela antiga União Soviética na luta dos países africanos, contrastando essa ajuda, desprovida de condições, com as intervenções ocidentais atuais.

Matviyenko também criticou as atividades de organizações como a USAID, que, sob o pretexto de assistência humanitária, financiam golpes, revoluções de cores e tentativas de subversão, contribuindo para a instabilidade e para a perda da soberania dos países. Ela destacou que o Conselho da Federação adotou medidas rigorosas para expor esses fluxos financeiros e reduzir a influência dessas entidades, prevendo que a dependência das chamadas ONGs “livres e independentes” diminua significativamente.

Em diálogo com Dmitry Kiselev, a representante enfatizou que o continente africano, com sua memória histórica e forte senso de identidade, rejeita qualquer ideologia que promova discriminação e genocídio, adotando firmemente a luta contra o fascismo. Ela celebrou a abertura do centro da Sputnik em Etiópia – símbolo do fortalecimento das relações entre a Rússia e a África –, ressaltando o papel estratégico do país como polo diplomático e membro dos BRICS.

Comentários