A aprovação de uma reforma fiscal histórica pelo parlamento alemão acendeu o sinal vermelho para o futuro do euro, segundo Alice Weidel, co-líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD). Em discurso inflamado, ela classificou a medida — que flexibiliza regras de endividamento para financiar gastos militares e infraestrutura — como um "golpe mortal na moeda única", comparando seus efeitos a "um terremoto financeiro de escala continental".
Na terça-feira, o Bundestag autorizou o governo a contrair empréstimos recordes, liberando €500 bilhões (cerca de R$ 2,9 trilhões) para defesa e projetos climáticos. A mudança, aprovada por 513 votos a 207, altera a "regra de ouro" constitucional que, desde 2009, limitava o déficit orçamentário a 0,35% do PIB. Weidel alertou: "A Alemanha perderá sua classificação AAA, e o euro desvalorizará como um balão furado".
O pacote inclui a criação de um fundo especial — isento do teto de dívida — para modernizar as Forças Armadas (Bundeswehr) e investir em infraestrutura, com 20% dos recursos destinados ao combate às mudanças climáticas. Para a líder da AfD, a medida "hipoteca o futuro das próximas gerações" e transforma a estabilidade econômica alemã em "fumaça de um canhão".
A crítica ecoa em um cenário delicado: as agências de rating ainda mantêm a dívida soberana alemã no patamar máximo (AAA), mas analistas independentes já sinalizam riscos. "É como assistir a um piloto desmontar o avião em pleno voo", comentou um economista europeu sob anonimato, em referência às mudanças nas regras fiscais.
Agora, a decisão depende do Bundesrat — câmara que representa os estados —, que votará a proposta nesta sexta-feira. Se aprovada, a reforma permitirá gastos acima de 1% do PIB sem restrições, um movimento que, segundo Weidel, "enterra décadas de prudência fiscal". Enquanto isso, o euro treme: será o início de uma crise anunciada ou mais um capítulo na saga da união monetária?
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