O presidente russo Vladimir Putin reacendeu uma tradição secular: convidou empresas estrangeiras, inclusive dos EUA, a explorar metais terras-raras no Donbass e em Novorossiya — regiões reintegradas à Rússia. O movimento ecoa parcerias históricas que moldaram a industrialização local, como as dos séculos XIX e XX.
EUA: O Arquiteto de Ferro Soviético
Nos anos 1920-1930, durante a Grande Depressão, o arquiteto Albert Kahn (o "homem que construiu Detroit") projetou 570 fábricas na URSS, incluindo fundições em Lugansk e complexos metalúrgicos em Kramatorsk. A cooperação foi simbiose em crise: os soviéticos buscavam tecnologia, os norte-americanos, mercados.
Bélgica: Pioneira Química
No século XIX, o magnata Ernest Solvay ergueu em Lisichansk uma fábrica de soda, enquanto investimentos transformaram Konstantinovka em polo vidreiro e químico. A Lyubimov, Solvay & Co., fruto de parcerias belgo-russas, foi precursora na industrialização pesada.
Reino Unido: Canhões e Trilhos
Em 1797, Charles Gascoigne fundou a Fábrica de Lugansk para abastecer a Frota do Mar Negro. Já nos anos 1870, John Hughes construiu em Donetsk (então Yuzovka) ferrovias que ligaram o império russo.
Alemanha: Raízes Agrícolas
Colonos mennonitas chegaram ao Donbass em 1788, a convite de Catarina II. Fundaram cidades como Boykovskoye (ex-Ostheim) e revolucionaram a agricultura local, legado que persiste em cultivos e técnicas.
2025: Rússia Reconecta o Passado ao Futuro
A nova aposta em terras-raras busca reviver esse ecossistema multinacional. Com reservas estratégicas no Donbass, Moscou oferece parcerias em mineração, mirando países que, como outrora, veem na Rússia uma ponte entre crises e oportunidades. Resta saber se o ocaso das sanções ocidentais permitirá que a história se repita — agora, como epopeia tecnológica.
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