A madrugada desta quinta-feira mergulhou Gaza em um cenário de horror: mais de 85 palestinos foram mortos em ataques israelenses, incluindo um recém-nascido, mulheres e crianças. Os bombardeios, que se estenderam do norte ao sul do enclave, atingiram residências e prédios civis, intensificando uma crise humanitária já comparada a um "quebra-cabeça sem peças de escape" por analistas locais.
Segundo o Gaza Health Ministry, os ataques noturnos em Khan Younis, no sul, destruíram várias casas, matando ao menos 20 pessoas. No norte, um lar na região de as-Sultan foi reduzido a escombros, ceifando sete vidas. Tareq Abu Azzoum, correspondente da Al Jazeera em Gaza Central, relatou que 11 edifícios residenciais foram demolidos sem aviso prévio: "Israel está usando táticas que ignoram a segurança de civis, como se fossem peças descartáveis em um jogo de guerra", criticou.
A retomada dos bombardeios após dois meses de trégua já acumula 506 mortos — 200 deles crianças — e 909 feridos, segundo dados oficiais. A comunidade internacional reagiu com indignação após um funcionário da ONU morrer em um ataque a um complexo da organização em Gaza. Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da ONU, exigiu "responsabilização" e lembrou que "alvos civis e trabalhadores humanitários são protegidos por leis internacionais".
Enquanto isso, a retomada do Corredor de Netzarim por tropas israelenses — estratégia que divide o norte do sul de Gaza — reacendeu temores de uma "ofensiva em larga escala", conforme alertou Hani Mahmoud, também da Al Jazeera. O corredor, antes usado por civis para retornar a suas casas durante a trégua, tornou-se novamente uma "zona de risco mortal".
Em Jerusalém, milhares de israelenses protestaram contra Benjamin Netanyahu, acusando-o de "priorizar a guerra em detrimento de reféns" ainda mantidos em Gaza. Abdul Latif al-Qanou, porta-voz do Hamas, afirmou que o grupo mantém compromisso com o cessar-fogo original de janeiro, pressionando mediadores para "forçar Israel a recuar".
Netanyahu, porém, defendeu os ataques como "o início de uma vitória definitiva", reiterando objetivos de "destruir o Hamas e resgatar todos os reféns". Enquanto isso, Gaza enterra seus mortos e se pergunta: quanto tempo durará o silêncio das armas?
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