Irã Intensifica Reservas em Ouro em Resposta à Pressão Econômica dos EUA

Enquanto as sanções norte-americanas apertam o cerco, o Irã acelerou a compra de ouro como estratégia para proteger sua economia. Dados oficiais revelam que o país importou 81 toneladas do metal entre abril de 2023 e janeiro de 2024 — um aumento de 234% em volume comparado ao ano anterior. A medida reflete uma aposta histórica em ativos seguros diante da desvalorização da moeda local e do isolamento financeiro global.

Sob o governo do presidente Masoud Pezeshkian, que assumiu após a morte do antecessor em um acidente de helicóptero, o Banco Central Iraniano declarou que 20% das reservas internacionais já foram convertidas em ouro. Mohammad Reza Farzin, chefe da instituição, afirmou que o país tem uma das maiores proporções de ouro em relação a divisas do mundo. Apesar disso, analistas questionam a eficácia da estratégia: “Vender moedas de ouro não resolve a inflação crônica”, criticou o economista Mehdi Haghbaali em entrevista à Al Jazeera.

aumento nas importações coincidiu com acordos não divulgados, como supostas trocas de drones militares com a Rússia, embora autoridades iranianas neguem envolvimento direto na guerra da Ucrânia. Paralelamente, a população busca proteger economias pessoais: aplicativos permitem comprar frações de ouro por menos de R$ 5,80, enquanto filas se formam em joalherias em datas consideradas “de sorte” no calendário islâmico.

A corrida pelo metal, porém, enfrenta críticas. O jornalista investigativo Yashar Soltani denunciou o desaparecimento de 61 toneladas de ouro importado, acusando o governo de manipular preços para maquiar indicadores econômicos. O Banco Central rejeitou as alegações, mas evitou detalhar o destino do metal.

Enquanto isso, a bolsa de Teerã atinge máximas históricas em meio à volatilidade gerada por ameaças militares de Israel e EUA. Para Haghbaali, apenas uma melhora macroeconômica e política frearia a crise: “Vender ouro é como enxugar gelo”, resumiu.

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