Netanyahu Promete Escalada de Violência: “Gaza Vai Arder Como Nunca”

Em um discurso televisivo que ecoou como um trovão, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que os ataques aéreos que mataram 404 palestinos em Gaza nas últimas 24 horas são “apenas o começo”. A fala, carregada de retórica belicista, ocorre após o colapso da trégua frágil iniciada em 19 de janeiro, que já havia sido estendida por seis semanas.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, os bombardeios — que atingiram desde Khan Younis e Rafah, no sul, até Cidade de Gaza, no norte — deixaram também 560 feridos, muitos deles crianças. Famílias inteiras foram apagadas do mapa em áreas como Deir el-Balah, onde prédios residenciais viraram pó. Netanyahu justificou a ação: “Continuaremos até eliminar o Hamas, libertar todos os reféns e garantir que Gaza nunca mais ameace Israel”.

As negociações para a segunda fase do cessar-fogo, que previa a libertação de 60 reféns restantes e um acordo permanente, estão paralisadas. Israel insiste em estender a primeira fase até meados de abril, enquanto o Hamas recusou uma proposta intermediária do enviado especial de Donald TrumpSteve Witkoff, que oferecia a libertação de um refém norte-americano-israelense e corpos de capturados em troca do fim do bloqueio israelense.

Desde o início da trégua, o Hamas libertou 35 reféns em troca de 2 mil prisioneiros palestinos, mas o impasse persiste. Netanyahu culpou o grupo pelo fracasso: “Enquanto aceitamos a mediação de Witkoff, o Hamas recusou. Por isso, reautorizei os ataques”. O líder israelense ainda acusou a organização de “responsabilidade por todas as baixas civis”, pedindo que moradores de Gaza “fujam de áreas de risco” — uma ironia cruel, considerando que o território, cercado, não tem rotas de fuga seguras.

A estratégia de “guerra sob fogo” de Netanyahu, aliada à pressão internacional morna, evidencia um cálculo político arriscado: ampliar a violência para consolidar apoio doméstico, enquanto ignora o custo humano. Para analistas, a retórica de “eliminação total” do Hamas soa mais como slogan eleitoral do que plano factível, num conflito onde civis pagam o preço mais alto.

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