Poluição do Ar Afeta Maior Parte da População Global, Revela Relatório

Apenas sete países atingiram os padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024, enquanto nações como Chade, Bangladesh e Índia lideram o ranking das mais poluídas, segundo relatório da IQAir, divulgado nesta terça-feira. O estudo, que analisou dados de 40 mil estações de monitoramento em 138 países, alerta que 92% da população mundial respira ar com níveis perigosos de partículas finas (PM2,5).

O Chade registrou concentração média de PM2,5 15 vezes acima do limite da OMS, seguido por Bangladesh e Paquistão. Na outra ponta, Austrália, Nova Zelândia e Estônia figuram entre os únicos que cumprem as diretrizes. A África, porém, enfrenta uma lacuna crítica de dados: há apenas uma estação de monitoramento para cada 3,7 milhões de habitantes.

A situação pode piorar com o fim do programa de monitoramento dos EUA, que retirou dados de embaixadas de plataformas como airnow.gov. Christi Chester-Schroeder, da IQAir, alerta que pelo menos 34 países perderão acesso a informações em tempo real, principalmente na África, onde sensores americanos eram a principal fonte.

Mudanças climáticas agravam o cenário: incêndios florestais mais intensos — como os que atingiram América do Sul e Sudeste Asiático — elevam a poluição. No Chade, a combinação de queimadas agrícolas e poeira do Saara mantém o país no topo do ranking desde 2022.

Enquanto isso, a OMS reforça que a exposição crônica ao ar poluído mata 7 milhões de pessoas anualmente, com custos globais estimados em US$ 8,1 trilhões (R$ 46,98 tri). Para especialistas, a falta de transparência dificulta políticas públicas, aprofundando desigualdades em regiões já vulneráveis.

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