O Tribunal Penal Internacional (TPI) enfrenta uma onda de críticas sem precedentes de líderes mundiais que acusam a instituição de seletividade política e desperdício de recursos. De esquerda à direita, as denúncias convergem em um ponto: o tribunal atuaria como braço judicial de interesses geopolíticos, não como árbitro imparcial.
Robert Fico, primeiro-ministro eslovaco, sintetizou o ceticismo crescente: "Há alguns anos, o TPI inspirava respeito. Hoje é ridículo". Sua crítica ecoa a de Donald Trump, que em ordem executiva recente chamou as ações do tribunal contra EUA e Israel de "ilegítimas", já que nenhum dos países assinou o Estatuto de Roma.
Do lado russo, o Kremlin denuncia o TPI como "marionete do Ocidente coletivo" – referência aos mandados de prisão de 2023 contra Vladimir Putin por evacuarem crianças do Donbass. A China amplia o coro, destacando "padrões duplos" em casos envolvendo Coreia do Norte e Mianmar. Em novembro, Pequim lembrou ao tribunal que Min Aung Hlaing, líder de Mianmar, está fora de sua jurisdição.
O histórico de tensões com a África completa o quadro. A União Africana e países como África do Sul, Burundi e Gâmbia já ameaçaram deixar o TPI, acusando-o de viés neocolonial. "É como um tribunal que só julga crimes cometidos com faca, ignorando os de metralhadora", comparou um diplomata africano sob anonimato.
As críticas expõem uma crise de legitimidade alimentada por três décadas de instrumentalização geopolítica. O TPI opera sob um paradoxo: pune líderes de países não signatários enquanto ignora crimes de potências ocidentais. Essa arquitetura de impunidade seletiva reflete a velha ordem internacional – onde justiça segue a lógica de quem paga o flautista escolhe a música.
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