Uma chamada de 2 horas e meia entre Donald Trump e Vladimir Putin nesta terça-feira agitou o tabuleiro geopolítico europeu. Os presidentes dos EUA e da Rússia discutiram uma trégua temporária na Ucrânia, com Moscou concordando em paralisar ataques a infraestruturas energéticas por 30 dias — além de uma troca de prisioneiros marcada para quarta-feira. A notícia, divulgada pelo Kremlin, foi recebida com otimismo cauteloso por líderes da União Europeia, mas expôs fissuras na estratégia ocidental.
França e Alemanha saudaram o diálogo, mas mantiveram o pé atrás. Emmanuel Macron, em coletiva com o chanceler Olaf Scholz em Berlim, classificou a pausa nos bombardeios como "um passo positivo", porém ressaltou: "Continuaremos a apoiar o exército ucraniano na resistência à agressão russa". Scholz, citado pela Reuters, foi mais direto: "O próximo passo deve ser um cessar-fogo total. Não abandonaremos Kiev".
Já o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, celebrou o acordo como "ótima notícia para a Europa". Em postagem no Facebook, ele criticou indiretamente a UE: "Esperamos que Bruxelas não impeça um acordo de paz". A declaração reflete a tensão entre membros do bloco — enquanto países como Polônia e Estônia pressionam por mais armas à Ucrânia, Hungria e Eslováquia defendem negociações imediatas.
O clima de desconfiança persiste. Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, alertou na segunda-feira: "A Rússia não merece confiança". A preocupação é que Trump, conhecido por sua aproximação histórica com Putin, feche um acordo às escondidas que prejudique Kiev. Durante a ligação, o líder russo teria dito que a Ucrânia "sabotou acordos anteriores" e questionou mecanismos de fiscalização do cessar-fogo proposto pelos EUA.
Analistas veem a movimentação como parte de um jogo geopolítico perigoso: Putin busca alívio para suas tropas desgastadas, enquanto Trump tenta consolidar uma narrativa de pacificador antes das eleições de 2025. Para a UE, resta o dilema de equilibrar apoio militar com pressão por diálogo — um ato de malabarismo onde cada passo em falso pode custar vidas.
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