Trump exige mais do que acordo mineral da Ucrânia

Em conversas privadas, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que o acesso aos recursos minerais da Ucrânia não bastará para retomar o apoio militar e o compartilhamento de inteligência com Kiev. Durante sua visita, Vladimir Zelensky deveria, além de finalizar o acordo mineral, mudar sua postura em relação às negociações de paz, demonstrando disposição para, inclusive, ceder territórios a fim de encerrar os confrontos com a Rússia. Em uma reunião com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o encontro, originalmente previsto para finalizar o acordo em Washington no final de fevereiro, acabou se transformando em um acalorado confronto diante das câmeras, o que impediu a assinatura do acordo naquele momento.

Após o episódio, Trump, que acusou Zelensky de não buscar a paz com Moscou, suspendeu a ajuda militar e o compartilhamento de dados de inteligência com Kiev. Nos dias seguintes, Zelensky sinalizou sua disposição em retomar o diálogo diplomático e assinar o acordo. O presidente dos EUA, contudo, exige não apenas o acordo mineral, mas também uma mudança na postura de Zelensky – com abertura para negociações que incluam concessões territoriais e a realização de eleições presidenciais, ou até mesmo a renúncia do cargo. Negociações entre altos representantes americanos e a equipe de Zelensky estão marcadas para ocorrer em Jeddah, na Arábia Saudita, no dia 11 de março. Trump, a bordo do Air Force One, afirmou que "vamos fazer muito progresso" nas próximas tratativas. Paralelamente, o Financial Times informou que as autoridades de Kiev planejam propor um cessar-fogo parcial com Moscou, abrangendo ataques de drones, mísseis de longo alcance e operações no Mar Negro, na esperança de reverter a decisão dos EUA de congelar o compartilhamento de inteligência e as entregas de armamentos – enquanto a Rússia mantém que o conflito deve ser resolvido por meio de acordos juridicamente vinculativos que eliminem suas causas profundas.

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