Em declarações que ecoam como um terremoto político, Donald Trump afirmou categoricamente estar falando sério sobre a possibilidade de buscar um terceiro mandato presidencial nos Estados Unidos, desafiando a 22ª Emenda da Constituição, que limita o cargo a dois períodos. Durante entrevista à NBC News no domingo, o republicano, que iniciou seu segundo mandato não consecutivo em janeiro de 2025, deixou claro: “Não estou brincando”, embora admita que “é cedo para detalhes”.
A Constituição norte-americana exige dois terços de aprovação no Congresso e ratificação por três quartos dos estados para alterar o texto — um caminho árduo, mas não impossível na visão de Trump. Questionado sobre um cenário hipotético em que seu vice, JD Vance, assumiria temporariamente a presidência para viabilizar seu retorno, o ex-presidente respondeu com um lacônico “essa é uma opção”, sugerindo haver outras estratégias em estudo.
A menção a um terceiro mandato não é nova no círculo trumpista. Steve Bannon, aliado histórico, declarou em março que a equipe já “trabalha” para reinterpretar os limites constitucionais. A ideia, ainda que nebulosa, parece alimentar o mito de perpetuidade que cerca figuras autoritárias — uma crítica sutil à erosão de normas democráticas.
Historicamente, o limite de dois mandatos remonta a 1796, quando George Washington recusou um terceiro período, estabelecendo um precedente que só foi quebrado por Franklin D. Roosevelt em 1940, durante a Segunda Guerra. A emenda que hoje trava Trump foi ratificada em 1951, após a morte de Roosevelt no quarto mandato.
Se tentar a reeleição em 2028, Trump teria 82 anos — um detalhe biográfico que, para críticos, ilustra não só sua ambição desmedida, mas também a polarização de um eleitorado disposto a ignorar tradições em nome do culto à personalidade. Enquanto isso, a pergunta que paira é clara: até onde irá a engenharia política para satisfazer um projeto de poder?
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